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terça-feira, 10 de agosto de 2010

Mitologia & Filosofia I





MITOLOGIA E FILOSOFIA: UM DEBATE
Por José Sobreira Barros Júnior
Mestre em Filosofia-PUC/SP
                  
Um dos fatos mais interessantes na história da humanidade como um todo é tentar explicar o início de tudo, os acontecimentos do cotidiano e as possibilidades de entender a vida pós-morte. Em todos os tempos sempre ocorreu aos homens perguntar-se sobre sua origem e a do próprio universo que os cerca.
Estas respostas ou tentativas de respostas às questões acima levantadas nunca foram privilégio de todos, sempre “especialistas” de todas as matizes, dos sacerdotes, aos reis, os papas, ou mesmo os cientistas, sempre tiveram o privilégio de tentar deter o “saber responder”, estes questionamentos.
Desta forma, sempre ocorreu a interrogação do “de onde viemos” e “para onde iremos” e as respostas se sucedem no transcorrer do tempo. Quando falamos que são perguntas ou explicações que estão presentes no transcorrer da evolução da vida racional do ser humano, queremos dizer que, qualquer tribo perdida em qualquer lugar do planeta de uma maneira ou de outra vai apresentar essas inquietações, basta ver as tribos indígenas na América do Sul, seus mitos tentam explicar a natureza e seus fenômenos.
 “O mito é uma narrativa imaginária que estrutura e organizam de forma criativa as crenças culturais. As divindades constituíam os personagens que, pelas divergências, intrigas, amizades e desejo de justiça, explicavam tanto a natureza humana como os resultados das guerras e os valores culturais”. (Cassiano Carde in  “Para Filosofar”, p. 9 Ed. Scipione).
Portanto, o fantástico entra em cena para dar conta de um real, isto é, a realidade antes de tudo explicada dentro de uma super dimensão.
A questão é que temos que entender o processo mitológico como uma estrutura  de entendimento da realidade, não só no passado mas também no presente.
Em dois momentos, séc. XVIII (com o Iluminismo) e séc. XIX (com o hegelianismo e o positivismo), encontramos a idéia de que superar a perspectiva mitológica é para a humanidade uma evolução. Desta forma, a reflexão mitológica pertenceria a culturas primitivas ou mesmo atrasadas.
Na antropologia, a perspectiva de uma explicação mítica é defendida por Lévi-Strauss como bricoleur, isto é, a produção de objetos  partindo de pedaços e fragmentos de outros objetos. Desta forma, a realidade vai interligando-se paulatinamente ao conjunto de suas crenças. O pensamento mítico vai estruturando-se como experiências, relatos e narrativas.
Desta forma, o pensamento mítico, como afirma Chauí (ob. cit. p.161/162), apresenta três características principais.
 “função explicativa: o presente é explicado por alguma ação passada cujos efeitos permanecem no tempo. Por exemplo, uma constelação existe porque, no passado, crianças fugitivas e famílias morreram na floresta e foram levadas ao céu por uma deusa que as transformou em estrelas; as chuvas existem porque, nos tempos passados, uma deusa apaixonou-se por um humano e, não podendo unir-se a ele diretamente, uniu-se pela tristeza, fazendo suas lágrimas caírem sobre o mundo, etc.;
 função organizativa: o mito organiza as relações sociais (de parentesco, de alianças, de trocas, de sexo, de idade, de poder, etc) de modo a legitimar e garantir a permanência de um sistema complexo de proibições e permissões. Por exemplo, um mito como o de Édipo ( Quando Édipo nasce, um vidente, Tirésias, prevê que o menino matará o pai e casará com a mãe. Apavorado, o rei Laio – o pai – manda matar Édipo. O escravo que deveria matar o menino sente piedade e o lança num precipício sem verificar se está ou não morto; e entrega ao rei o coração de uma corça, como se fosse o de Édipo. A criança não morre e é recolhida por um pastor. Este, por sua vez, a entrega a um outro rei, que, idoso, lamentava não ter filhos. Ao crescer, Édipo suspeita que não é filho de seus país adotivos e sai à procura dos pais verdadeiros. No caminho, vê uma batalha entre um grupo numeroso e um pequeno; coloca-se ao lado deste ultimo e mata o chefe do outro grupo  - seu pai, Laio. Chegando a sua cidade natal, fica sabendo que um monstro estava devorando as virgens e só interromperá a matança se alguém decifrar um enigma que propõe. Édipo decifra o enigma. Como recompensa, recebe a rainha em casamento. Casa-se com Jocasta, sem saber que se tratava de sua verdadeira mãe, e com ela tem filhos. A profecia se cumpre. A cidade será castigada com a peste e, ao tentar combate-la, pedindo aos deuses que lhe digam o que a causou, Èdipo fica sabendo, por Tirésias, que matou o pai e casou-se com a mãe. Fura os olhos e exila-se, enquanto Jocasta se suicida.) existe (com narrativas diferentes) em quase todas as sociedades selvagens e tem a função de garantir a proibição do incesto, sem a qual o sistema sociopolítico, baseado nas leis de parentesco e de alianças, não pode ser mantido;
função compensatória: o mito narra uma situação passada, que é a negação do presente e que serve tanto para compensar os humanos de alguma perda como para garantir-lhes que um erro passado foi corrigido no presente, de modo de oferecer uma visão estabilizada e regularizada da Natureza e da vida comunitária.”
                Desta forma, o mito é explicado dentro de uma realidade, porém não podemos deixar de destacar o processo mitológico na Grécia antiga. O mito entre os gregos assume um papel diferente na sua dimensão do fantástico, pois este, é mais humano, está interligado à vida cotidiana das pessoas, o que não encontramos no Oriente por exemplo. Esta é uma questão primordial, a filosofia nasce debatendo com o mito – não vamos aqui entrar no debate sobre se a filosofia é um derivado maior da perspectiva mítica da realidade – e, portanto, apresentando uma estrutura racional sobre a realidade na sua perspectiva de construção de uma cosmologia.
FILOSOFIA E MITO – o debate.
Portanto, pensar sobre o debate entre mitologia e filosofia é, antes de tudo, procurar as razões que se diferem nas duas explicações de realidade.
A mitologia é uma narrativa que conta de maneira fantástica o passado, já á filosofia tem uma preocupação com o passado, o presente e o futuro. Desta forma, o refletir filosófico é, antes de tudo, uma perspectiva de totalidade de tempo.
Quando o mito narra a origem das coisas apresenta toda uma genealogia com rivalidades e alianças entre as coisas, as forças divinas que são sobrenaturais ou mesmo personalizadas. Já na filosofia encontramos uma busca explicativa sobre como a natureza determina um elemento único de formação da cosmologia. Assim, os primeiros filósofos pré-socráticos, estão procurando o elemento norteador do Universo e da vida na terra, água, fogo, ar, átomo, etc.
Assim, o mito fala em Urano, Ponto e Gaia e a reflexão filosófica apresenta o céu, o mar e a terra. Sendo que diferentemente da explicação mitológica onde estes elementos surgem por casamentos a filosofia os explica, como um processo de separação de quatro elementos (úmidos, seco, quente e frio ou água, terra, fogo e ar).
A autoridade religiosa do narrador permite a este não se importar com as possíveis contradições narrativas do processo mítico. A filosofia por sua vez não permite contradições, fabulações, mas sim o discurso lógico, sem contradições, a autoridade não esta no filosofo, mas sim na razão que esta permeando o pensamento lógico.
Chauí destaca ainda que alguns elementos tais como, as viagens marítimas, a invenção do calendário, a invenção da moeda, o surgimento da vida urbana, a invenção da escrita alfabética e a invenção da política, foram fundamentais para o surgimento da filosofia na Grécia Antiga.
O filósofo é aquele que tem como ponto de partida para a análise da realidade a razão, esta com seus princípios e regras determina um critério para o seu processo de evolução analítica. Somente desta maneira a reflexão filosófica poderá trabalhar com a contradição e com o pensamento universal. Será ainda parte do refletir filosófico a duvida constante e a tendência para a generalização. Entendemos generalização como é apresentado por Chauí (ob. cit. p.33) ; “mostrar que uma explicação tem validade para muitas coisas diferentes porque, sob a variação percebida pelos órgãos de nossos sentidos, o pensamento descobre semelhanças e identidades.”.
Porém, não podemos esquecer, os próprios filósofos na Grécia Antiga utilizaram a mitologia ou a alegoria para o processo de reflexão filosófica. É o caso de Platão e a alegoria da Caverna ou “mito” da Caverna.
A leitura da realidade passa por vários caminhos, tanto no passado como no presente, desvendar os mitos, tornar possível os caminhos da razão humana é o papel do filosofar no passado e no presente, pois só assim, poderemos construir uma episteme  capaz de estruturar uma totalidade.
MITO E MODERNIDADE
O mito na modernidade passa por um processo de transformação? Esta é uma questão que ainda esta em aberto na nossa sociedade. Dizíamos acima, no transcorrer do texto, que o mito é antes de tudo uma explicação fantástica sobre uma realidade, porém sabemos, que na Antigüidade o processo mitológico unificava a comunidade, pois, este se apresentava sempre de uma maneira coletiva.
De outra forma, é também na Antigüidade que percebemos o caráter dogmático dos mitos. Portanto, uma verdade que não necessita ser; provada e muito menos aceita um questionamento a verdade que esta apresentando.
Esta perspectiva na Mitologia Antiga é uma referência fundamental no seu debate com a filosofia, enquanto esta parte de uma procura racional a mitologia apresenta-se nos seus aspectos gerais dogmaticamente.
A filosofia ganhou este debate no passado? como, o mesmo, esta presente hoje no nosso dia a dia?
O positivismo de Augusto Comte, explicava a evolução da humanidade em três aspectos; o mítico (teológico), o filosófico (metafísico) e o científico. Para os positivistas o último estágio seria o coroamento da razão humana. Por sua vez seria o cientifico a única forma de possibilidade de se chegar a uma verdade.
Mas o próprio endeusamento da razão, não seria também um mito? Esta razão, tudo resolve? O homem também não necessita de paixões como dado de uma realidade e sua explicação?
Estas questões são colocadas de uma maneira fundamental no debate entre mitologia e razão filosófica nos dias de hoje. Isto é, será que o fantástico não é utilizado na atualidade como parte de explicação desta mesma realidade?
O mito não é por demais utilizado como senso comum no aspecto político-social? Esta é uma questão central e devemos estar preparados para procurar responde-la. Hoje o nosso cotidiano está cercado de aspectos mitológicos em vários sentidos, onde, as crenças são uma primeira referencia não crítica da realidade para diversas pessoas.
O “super – homem” racionalista é também uma figura mítica, porém, incapaz de solucionar questões básicas que estão presentes na realidade.
O papel dos meios de comunicação no sentido de divulgar e principalmente forjar novos heróis na luta do bem e do mal é fundamental para analisar nossa questão central. Neste aspecto, o texto das professoras Maria Lucia de Arruda Aranha  e Maria Helena Pires Martins, são fundamentais, para uma ampliação do nosso tema.:
 “Hoje em dia, os meios de comunicação de massa trabalham em cima dos desejos e anseios que existem na nossa natureza inconsciente e primitiva.
Os super heróis dos desenhos animados e dos quadrinhos, bem como os personagens de filmes como Rambo, Os justiceiros e outros, passam a encarnar o Bem e a Justiça e assumem a nossa proteção imaginária, exatamente porque o mundo moderno, com inflação, seqüestros, violência e instabilidade no emprego, especialmente nos grandes centros urbanos, revela-se cada vez mais um lugar extremamente inseguro. Artistas e esportistas podem ser transformados em modelos exemplares: são fortes, saudáveis, bem alimentados, têm sucesso na profissão – sucesso que é traduzido em reconhecimento social e poder econômico - , são excelentes pais, filhos e maridos, vivem cercados de pessoas bonitas, interessantes e ricas. Como não mitifica-los?
Até a novela, ao trabalhar a luta entre o bem e o mal, está  lidando com valores míticos, pré-reflexivos, que se encontram dentro de todos nós. Aliás, nas novelas, o casamento também é transformado em mito: é o grande anseio dos jovens enamorados, é a solução de todos os problemas, o apaziguamento de todas as paixões e conflitos. Por isso quase todas terminam com um verdadeiro festival de casamentos.
Só que os astros transformados em mito são heróis sem poder real: têm somente poder simbólico no imaginário da população.” (ob. cit. p. 64).
Sendo assim, está é uma questão básica; descobrir aonde se localiza o processo mitológico hoje. Sabemos que o mito moderno não ocupa ou não têm o mesmo papel existencial do passado, isto é, do mito primitivo. Talvez como um reflexo da estrutura produtiva do sistema em que vivemos, o mito moderno não mais se apresenta como algo que contextualize a totalidade de uma realidade.
E aqui entramos em uma outra questão muito pertinente de nossa atualidade, isto é, seria possível percebermos essa totalidade? A resposta é sim, caberá a razão filosófica aprofundá-la e ao mesmo tempo, determinar uma livre escolha de cada um sobre quais serão seus modelos de mitos ou de vida aceitáveis.
foram fundamentais para o surgimento da filosofia na Grécia Antiga.
O filósofo é aquele que tem como ponto de partida para a análise da realidade a razão, esta com seus princípios e regras determina um critério para o seu processo de evolução analítica. Somente desta maneira a reflexão filosófica poderá trabalhar com a contradição e com o pensamento universal. Será ainda parte do refletir filosófico a duvida constante e a tendência para a generalização. Entendemos generalização como é apresentado por Chauí (ob. cit. p.33) ; “mostrar que uma explicação tem validade para muitas coisas diferentes porque, sob a variação percebida pelos órgãos de nossos sentidos, o pensamento descobre semelhanças e identidades.”.
Porém, não podemos esquecer, os próprios filósofos na Grécia Antiga utilizaram a mitologia ou a alegoria para o processo de reflexão filosófica. É o caso de Platão e a alegoria da Caverna ou “mito” da Caverna.
A leitura da realidade passa por vários caminhos, tanto no passado como no presente, desvendar os mitos, tornar possível os caminhos da razão humana é o papel do filosofar no passado e no presente, pois só assim, poderemos construir uma episteme  capaz de estruturar uma totalidade.
MITO E MODERNIDADE
O mito na modernidade passa por um processo de transformação? Esta é uma questão que ainda esta em aberto na nossa sociedade. Dizíamos acima, no transcorrer do texto, que o mito é antes de tudo uma explicação fantástica sobre uma realidade, porém sabemos, que na Antigüidade o processo mitológico unificava a comunidade, pois, este se apresentava sempre de uma maneira coletiva.
De outra forma, é também na Antigüidade que percebemos o caráter dogmático dos mitos. Portanto, uma verdade que não necessita ser; provada e muito menos aceita um questionamento a verdade que esta apresentando.
Esta perspectiva na Mitologia Antiga é uma referência fundamental no seu debate com a filosofia, enquanto esta parte de uma procura racional a mitologia apresenta-se nos seus aspectos gerais dogmaticamente.
A filosofia ganhou este debate no passado? como, o mesmo, esta presente hoje no nosso dia a dia?
O positivismo de Augusto Comte, explicava a evolução da humanidade em três aspectos; o mítico (teológico), o filosófico (metafísico) e o científico. Para os positivistas o último estágio seria o coroamento da razão humana. Por sua vez seria o cientifico a única forma de possibilidade de se chegar a uma verdade.
Mas o próprio endeusamento da razão, não seria também um mito? Esta razão, tudo resolve? O homem também não necessita de paixões como dado de uma realidade e sua explicação?
Estas questões são colocadas de uma maneira fundamental no debate entre mitologia e razão filosófica nos dias de hoje. Isto é, será que o fantástico não é utilizado na atualidade como parte de explicação desta mesma realidade?
O mito não é por demais utilizado como senso comum no aspecto político-social? Esta é uma questão central e devemos estar preparados para procurar responde-la. Hoje o nosso cotidiano está cercado de aspectos mitológicos em vários sentidos, onde, as crenças são uma primeira referencia não crítica da realidade para diversas pessoas.
O “super – homem” racionalista é também uma figura mítica, porém, incapaz de solucionar questões básicas que estão presentes na realidade.
O papel dos meios de comunicação no sentido de divulgar e principalmente forjar novos heróis na luta do bem e do mal é fundamental para analisar nossa questão central. Neste aspecto, o texto das professoras Maria Lucia de Arruda Aranha  e Maria Helena Pires Martins, são fundamentais, para uma ampliação do nosso tema.:
 “Hoje em dia, os meios de comunicação de massa trabalham em cima dos desejos e anseios que existem na nossa natureza inconsciente e primitiva.
Os super heróis dos desenhos animados e dos quadrinhos, bem como os personagens de filmes como Rambo, Os justiceiros e outros, passam a encarnar o Bem e a Justiça e assumem a nossa proteção imaginária, exatamente porque o mundo moderno, com inflação, seqüestros, violência e instabilidade no emprego, especialmente nos grandes centros urbanos, revela-se cada vez mais um lugar extremamente inseguro. Artistas e esportistas podem ser transformados em modelos exemplares: são fortes, saudáveis, bem alimentados, têm sucesso na profissão – sucesso que é traduzido em reconhecimento social e poder econômico - , são excelentes pais, filhos e maridos, vivem cercados de pessoas bonitas, interessantes e ricas. Como não mitifica-los?
Até a novela, ao trabalhar a luta entre o bem e o mal, está  lidando com valores míticos, pré-reflexivos, que se encontram dentro de todos nós. Aliás, nas novelas, o casamento também é transformado em mito: é o grande anseio dos jovens enamorados, é a solução de todos os problemas, o apaziguamento de todas as paixões e conflitos. Por isso quase todas terminam com um verdadeiro festival de casamentos.
Só que os astros transformados em mito são heróis sem poder real: têm somente poder simbólico no imaginário da população.” (ob. cit. p. 64).
Sendo assim, está é uma questão básica; descobrir aonde se localiza o processo mitológico hoje. Sabemos que o mito moderno não ocupa ou não têm o mesmo papel existencial do passado, isto é, do mito primitivo. Talvez como um reflexo da estrutura produtiva do sistema em que vivemos, o mito moderno não mais se apresenta como algo que contextualize a totalidade de uma realidade.
E aqui entramos em uma outra questão muito pertinente de nossa atualidade, isto é, seria possível percebermos essa totalidade? A resposta é sim, caberá a razão filosófica aprofundá-la e ao mesmo tempo, determinar uma livre escolha de cada um sobre quais serão seus modelos de mitos ou de vida aceitáveis.







http://www.mundociencia.com.br/filosofia/mitos.htm
FILOSOFIA - OS MITOS
Os mitos e a religião são fenômenos universais: surgiram em todos os lugares, em todos os povos. A Filosofia, pelo contrário, é algo mais restrito. Em poucos lugares do mundo, como a Grécia e a Índia, apareceu gradualmente um pensamento filosófico que procurou dar uma explicação para o mundo sem utilizar mitos. Mas isso não aconteceu de repente nem houve um abandono total das concepções mitológicas e religiosas. Muitas vezes elas foram aproveitadas pelos filósofos. Por isso, para entender o surgimento da Filosofia, é preciso partir dos próprios mitos.
A mitologia grega foi de grande importância e influenciou toda a cultura ocidental. Os textos mais antigos que conservam informações sobre a mitologia grega são as obras atribuídas a Homero(Ilíada e Odisséia), elaboradas aproximadamente nos séculos XI ou VIII antes da era cristã, e as obras de Hesíodo, do final do século VIII antes de Cristo. Estas obras são poemas orais que passaram de gerações a gerações transcritos posteriormente.
A antiga visão de mundo dos gregos era de que a Terra (a deusa Gaia ou Géia) era uma superfície circular, plana(exceto em suas irregularidades, como as montanhas), semelhante a um prato ou disco. O céu (o deus Urano) seria a metade de uma esfera oca, colocada sobre a Terra. Entre a Terra e o céu existiriam duas regiões: a primeira, mais baixa, que vai da superfície do solo até as nuvens, seria a região do ar e das brumas. A segunda seria o ar superior e brilhante, azul, que é visto durante o dia, e que era chamado de éter. Embaixo da Terra, existiria uma região sem luz, o Tartaros. Em volta do Tartaros, existiriam três camadas da noite. A noite é considerada como uma deusa assustadora, a quem todos os deuses respeitam.
A Terra conteria todas as regiões secas conhecidas na época(Europa, Ásia e Áfria). Todas elas seriam cercadas por uma a espécie de rio circular, o oceano, que iria até a borda onde o céu e a Terra se encontram. O oceano é descrito como a fonte e origem de todos os rios e mares, Homero chega a descrevê-lo como a origem de todas as coisas e dos próprios deuses.

Mitologia-Folclore-Religião I



Mitologia (do grego μυθολογία) é o estudo dos mitos (lendas e/ou histórias) de uma cultura em particular creditadas como verdadeiras e que constituem um sistema religioso ou de crenças específicos.

Os mitos são, geralmente, histórias baseadas em tradições e lendas feitas para explicar o universo, a criação do mundo, fenômenos naturais e qualquer outra coisa a que explicações simples não são atribuíveis. Mas nem todos os mitos têm esse propósito explicativo. Em comum, a maioria dos mitos envolvem uma força sobrenatural ou uma divindade, mas alguns são apenas lendas passadas oralmente de geração em geração.

Figuras mitológicas são proeminentes na maioria das religiões e a maior parte das mitologias estão atadas a pelo menos uma religião. Alguns usam a palavra mito e mitologia para desacreditar as histórias de uma ou mais religiões.

O termo é freqüentemente associado às descrições de religiões fundadas por sociedade antigas como mitologia romana, mitologia grega, mitologia egípcia e mitologia nórdica, que foram quase extintas. No entanto, é importante ter em mente que enquanto alguns vêem os panteões nórdicos e célticos como meras fábulas outros os têm como religião (ver Neopaganismo).

Pessoas de muitas religiões tomam como ofensa a caracterização de sua fé como um conjunto de mitos, pois isso é afirmar que a religião em si é uma mentira. Mesmo assim, muitas pessoas concordam que cada religião tem um grupo de mitos os quais desenvolveram-se somados às escrituras.

Um exemplo cotidiano ocorre nos países cuja maioria populacional segue religiões de origem judaico-cristãs, como o Brasil ou México. Quando um seguidor de outra religião que não a cristã refere-se ao cristianismo como sendo um conjunto de mitos, seus seguidores sentem-se ofendidos.


Religião e mitologia

Alguns usam os termos mito e mitologia para ilustrar histórias de uma ou mais religiões como algo falso ou duvidoso. Enquanto quase todos os dicionários incluem essa definição, mito nem sempre significa que uma história é falsa, tampouco verdadeira. O termo é constantemente utilizado nesse sentido de descrever religiões criadas pelas sociedades antigas, cujos ritos estão quase extintos. Muitas pessoas não consideram as histórias sobre a origem e acontecidos, como contendores de mitos; eles vêem seus textos sagrados como possuindo verdades religiosas, inspiradas divinamente, mas não repassadas em linguagens humanas. Outros separam suas crenças de histórias similares de outras culturas e se referem a estas como história. Essas pessoas se opõem ao uso da palavra “mito” para descrever suas crenças.

Para o propósito desse artigo a palavra mitologia é usada para se referir a histórias, que, enquanto podem ou não serem factuais, revelam verdades fundamentais e pensamentos sobre a natureza humana, através do freqüente uso de arquétipos. Também é necessário frisar que as histórias discutidas expressam pontos de vista e crenças de um país, um período no tempo, cultura e/ou religião a qual lhes deu à luz. Uma pessoa pode falar de mitologia Judaica, mitologia Cristã ou mesmo mitologia Islâmica, onde cada uma descreve os elementos míticos nessas religiões sem se referir à veracidade sobre a sua história.


Mitologia moderna

Muitos fatos e personagens de jogos são inspirados em mitologias. Jogos de RPG como Final Fantasy recebem muitas criaturas provenientes de mitologias.

Séries de televisão e de livros como Star Trek e Harry Potter, por exemplo, têm aspectos mitológicos marcantes que algumas vezes desenvolvem-se em sistemas filosóficos profundos e intrincados. Essas séries não são mitologia, mas contêm temas míticos que, para alguns, atendem às mesmas necessidades psicológicas. Um ótimo exemplo são as obras O Silmarillion e O Senhor dos Anéis de J.R.R. Tolkien, bem como a série de filmes Star Wars (Guerra nas Estrelas) de George Lucas. Outra série é Supernatural, que ressalta muitos pontos da cultura espalhadas pelo mundo, ja que se ultilizam de muitos recursos, como as de algumas culturas que ja se extinguiram.

As leis de direitos autorais, no entanto, limitam os autores independentes de estender em um ciclo das histórias modernas. Alguns críticos acreditam que o fato de os principais personagens dos ciclos das histórias modernas não estarem no domínio público previne esses ciclos de emprestarem vários aspectos essenciais das mitologias. O "Fan fiction" atenua esse problema.

Ficção, porém, não atinge o nível de mitologia enquanto as pessoas não acreditam que aquilo realmente aconteceu. Por exemplo, alguns acreditam que as histórias de Clive Barker, como "Candyman", foram baseadas em fatos reais. O mesmo pode ser dito da Bruxa de Blair e muitas outras histórias.

A mitologia sobrevive no mundo moderno através de lendas urbanas, mitologia científica e muitas outras maneiras.

O anime e a série de mangás, Cavaleiros do Zodíaco (Saint Seiya no original), por exemplo, é considerada a que mais se baseia nas histórias das mitologias antigas (tirando Senhor dos Anéis), como a Mitologia Grega, Nórdica, Egípcia, e diversas outras. A história não é uma mitologia; ela conta a história das mitologias tradicionais, onde guerreiros representam constelações e têm como objetivo enfrentar os deuses que se opuserem a Atena (deusa grega da sabedoria). Vários personagens e monstros mitológicos como o Orfeu e o Cérbero estão presentes no nosso cotidiano.