A VIDA É O QUE FAZEMOS DELA!

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Ser Vegetariano é ser Coerente





Um tema que me tem preocupado, com o actual cenário de crise internacional, prende-se com as nossas opções de vida e qual o sentido que imprimimos às mesmas. Assim sendo, a minha reflexão para este artigo prende-se com a opção vegetariana e qual a sua relação no conceito de Responsabilidade Social, que riscos e que oportunidades. Qual o impacto do vegetarianismo no mundo socioeconómico e será esta a melhor opção?
Este tema ocorreu-me ao ler um dos último livros de Seth Godin, guru de marketing (“Torne-se Pequeno E Pense Em Grande”, Editorial Presença, 2007, versão original “Small is the New Big”, http://www.sethgodin.com/smallisthenewbig ), onde argumenta que “se toda a gente passasse a conduzir híbridos, basicamente seríamos independentes do petróleo (…), e as maiores ameaças para a atmosfera desapareciam (asma, poluição das cidades, etc)”. Mas a grande questão de Godin prende-se com o facto de que se é mesmo uma boa opção porque não se aplica? Seria esse um verdadeiro acto de puro altruísmo ou mera atitude de responsabilidade social para um mundo que procuramos ver melhor, direccionados àqueles que serão a continuidade da raça humana? E reflectindo, considero que essa questão aplica-se, também, ao vegetarianismo. Porque não opções mais saudáveis, quer do ponto de vista de saúde, ambiente, economia e social, já comprovadas como tal para melhorar o mundo?
O facto é que uma opção vegetariana global seria, eventualmente, desastrosa para a economia, da forma como a vemos hoje, pois haveria novas oportunidades a gerir e riscos a eliminar como sejam hábitos instituídos (consumo de carne e peixe, por exemplo, e sucedâneos como peles, caça e pesca) e novas situações a aprender (alimentação). Mas mais que tudo, teríamos que descobrir algo sobre nós e sobre o mundo. E será que estamos dispostos a essa descoberta e ver esse novo mundo? No mundo tecnológico em que nos inserimos, seguramente que não nos podemos queixar de falta de informação pois somos bombardeados por correio, seja físico ou virtual (internet). O que impede de darmos esse passo?
Se tal cenário se colocasse, tanto indivíduos como organizações teriam que redesenhar estratégias operacionais e de marketing. É certo que haveria actividades que se afundariam, mas também surgiriam novos nichos de mercado, novos comportamentos (menos violentos, seguramente) e novas formas de diálogo (entre os diferentes povos, princípio já há muito defendido por diversas personalidades internacionais). Seriam redesenhadas novas tendências e comportamentos, exploradas novas formas de criar, e gerar, vida e os excessos de cereais passariam a ter outro sentido útil. A vida, e o respeito pela mesma, seria harmonizado e o respeito pelo próximo, do ponto de vista social, passaria a ter a devida importância. O facto notório é a aversão natural (quase patológica) das pessoas à mudança, sejam elas sobre grandes ou pequenas coisas, mesmo que resultem no seu próprio bem-estar. A aversão à mudança é uma temática que nós, os vegetarianos, já sentimos e ultrapassamos e hoje, mais assentes nas nossas opções, verificamos que é esse o obstáculo ao crescimento e maturidade sobre opções alimentares.
Mas porquê o vegetarianismo relacionado com Responsabilidade Social? Porque a opção vegetariana merece ser ponderada como uma possibilidade séria para o planeta, considerando o argumento ecológico, tendo em consideração que:
  • os vegetais fornecem 10 vezes mais proteínas por hectare do que a carne, potenciando menor desgaste do terreno necessário para alimentar os animais de exploração.
  • a exploração agrícola consome menos água do que a exploração animal, contribuindo ainda para a melhoria da camada do ozono, efeitos de estufa e aquecimento global.
Só para registo, para ½ quilo de carne é necessário 50 vezes mais água do que para o equivalente em trigo, para além de que a criação animal tem uma quota-parte significativa de responsabilidade nos níveis de poluição dos recursos hídricos.
De acordo com o australiano Peter Albert David Singer ( http://www.utilitarian.net/singer ), filósofo e professor a leccionar nos EUA Ética e Valores Humanos, vegetariano por opção, num dos seus ensaios filosóficos mais conhecidos, combate a injustiça de algumas pessoas a viverem em abundância enquanto outras morrem de fome e alerta para o facto que “a comida desperdiçada na produção de animais nas nações ricas seria suficiente, se fosse adequadamente distribuída, daria para pôr fim tanto à fome como à subnutrição em todo o mundo”. Autor de livros como “Libertação Animal” , “How Are We to Live?: Ethic in an Age of Self-Interest” (1995) e “One World: The Ethics of Globalization” (2002), Singer tornou-se um grande defensor dos direitos dos animais e apoiante da dieta vegetariana.
Já as americanas Kneidel, Sally (bióloga doutorada e jornalista) e sua filha Sara Kate (activista, http://veggierevolution.blogspot.com), co-autoras do livro Revolução Vegetariana (título original “Veggie Revolution: Smart Choices for a Healthy Body and a Healthy Planet”, 2005 Outubro, ISBN 978.155.591.5407 da Fulcrum Publishing, EUA), analisam o impacto ambiental e socioeconómico global de uma opção vegetariana, considerando que se trata de um regime alimentar ancestral, experimentado e desenvolvido pelas diversas civilizações mas “engolida” por lobbies económicos e indústrias alimentares não vegetarianas. No livro de ambas, mãe e filha confrontam os problemas modernos, direccionados ao universo da indústria de alimentação americana, como sendo hábitos pouco recomendáveis, tanto do ponto de vista nutricional como de sustentabilidade ambiental, económica e social. A escolha alimentar certa para um corpo saudável, subtítulo do livro, é um tema que pela sua relevância, causa controvérsia nos meios diversos por ser um indiciador de redução de número de doenças humanas e potencial para uma população mais activa e mais participante, tanto no ponto de vista social como ambiental. No seu desenvolvimento, defendem que as actuais opções alimentares não vegetarianas estão a conduzir o globo a níveis de saturação preocupantes e os recursos esgotam-se a uma velocidade acelerada, sem alternativas. O livro enumera diversos recursos considerados fundamentais na produção de alimentação não vegetariana, os seus efeitos poluentes e consequências bem como indica soluções possíveis não poluentes e melhores para o ambiente, em geral. Em conclusão, as Kneidel defendem que para uma preservação do natural meio ambiente, Homens e Animais deverão regressar aos princípios de boa convivência e a práticas mais harmoniosas de exploração. As lições retiradas da natureza do Homem e seus hábitos alimentares em relação à ordem normal das coisas, estão a esgotar os recursos naturais do solo.
Assim sendo, e uma vez que caminhamos a passos largos para uma exploração até à exaustão dos recursos naturais do Globo e considerando as vantagens diversas de uma alimentação equilibrada, onde o consumo de carne é subtraído, retomando à questão de Seth Godin, se a solução é boa porque não a aplicamos? Ou seja, se a opção vegetariana resulta como uma decisão equilibrada e socialmente mais responsável, globalmente, porque não a considerar visto que os riscos socioeconómicos serão contornados com as novas oportunidades criadas de mercado, estes mais equilibrados e claramente mais saudáveis para todos? Seria até possível zerar o índice (reduzir à taxa zero) de população mundial com fome e de doenças (cardíacas, colesterol, entre outras). Todos, em conjunto, deveríamos repensar as nossas opções ponderando o peso futuro das mesmas, no imediato.
Deixo aqui a questão que também me preocupa porque procuro um mundo melhor, para todos e partilho convosco o pensamento de alguém que sempre lutou pela paz e auxílio aos menos favorecidos, Madre Teresa de Calcutá, que um dia disse “sei que o que fazemos não é mais que uma gota no oceano, mas se essa gota não estiver no oceano, fará lá falta”, mas nós sabemos que o mundo depende do movimento dos mares. Agora, depende de nós por isso faça a sua boa opção de vida, com consciência e com responsabilidade social, invista no futuro e goze da oportunidade de uma vida melhor.





Filosofia Vegan




O vegano defende que o homem deve viver autonomamente, sem depender de outras espécies animais.
Por outro lado, o veganismo é uma filosofia e prática de vida e compaixão. Este caminho tem sido seguido por algumas pessoas em todos os tempos da historia da humanidade.

Só recentemente a palavra vegan (VEEGN) foi utilizada para distinguir os vegan dos vegetarianos, e o movimento vegano acabou por se tornar numa sociedade.
A primeira sociedade vegana foi organizada e fundada em 1944, em Inglaterra. E em 1960, H. Jay Dinshah, fundou a sociedade vegan Americana. Desde então mais de 50 sociedades foram criadas em todo o mundo.
Veganismo é muito mais do que uma questão de dieta. É, sobretudo, uma forma de vida que exclui todas as formas de exploração e crueldade contra o reino animal. Isto implica que um vegano se limite ao uso de apenas produtos derivados do mundo vegetal, não consumindo, por isso, leite e derivados, ovos e mel.
Os veganos escolhem viver de uma forma mais humana e compassiva em relação aos animais, são contra a morte e todo o tipo de exploração animal. Não usam produtos derivados de animais, como sejam a lã, couro, peles, roupas ou móveis, artesanatos, sabonetes ou cosméticos que contenham produtos de origem animal, nenhuma escova feita de cabelos, ou travesseiro de penas etc.
Os veganos não pescam, não caçam, e não aprovam o confinamento de animais nos circos ou zoológicos, rodeios ou touradas.
O veganismo lembra ao Homem a sua responsabilidade pelos recursos naturais e faz com que ele procure formas de manter o solo e o reino vegetal saudável, assim como o uso correcto dos materiais da terra.
Um vegano evita submeter-se a vacinação ou a soro feito de animais. Sempre que possível, e dentro do razoável, evita ainda o uso de medicamentos que foram testados em animais.
O veganismo é uma filosofia de vida, um caminho que procura a harmonia com o meio ambiente.
O vegano, em geral, também se interessa em ter um excelente padrão físico, emocional, mental e espiritual.

Talvez esta lista pareça à primeira vista difícil de seguir, mas serve principalmente para mostrar como é grande e extensa a lista de produtos ou substâncias derivadas de animais que normalmente usamos diariamente ao longo de nossas vidas.
Principalmente porque o mercado de vendas destes produtos só pensa em aumentar os seus lucros, independente da exploração animal ou dos efeitos nefastos que isso traga ao meio ambiente ou à saúde a médio prazo.
O curioso é que já existem muitas alternativas, mais humanas, para qualquer tipo de produtos de origem animal. E no entanto são poucas as empresas que as adoptam. Na América do Norte e na Europa tem crescido o comércio de produtos não derivados de animal, devido ao aumento da consciência do respeito ao meio ambiente e a compaixão por todas as formas de vida.

Embora a dieta vegana não contenha vitamina D, os seus seguidores podem consegui-la com a exposição ao sol das mãos e da face durante quinze minutos, cerca de três vezes por semana. Os outros nutrientes mais difíceis de conseguir seguindo uma dieta sem produtos animais, como a vitamina B12, podem facilmente ser obtidos ingerindo alimentos enriquecidos, ou, em último caso, recorrendo a suplementos vitamínicos.


http://www.centrovegetariano.org/











Vegetarianismo ao longo  da História



Na Pré-História
O vegetarianismo surgiu há cerca de 5 milhões de anos atrás. O nosso antepassado mais antigo, o Australopithecus Anamensis, alimentava-se de frutas, folhas e sementes, vivendo em perfeita harmonia com os animais mais pequenos, que poderia facilmente apanhar para se alimentar. Mas a índole destes hominídeos era pacífica e assim continuou até ao Australopithecus Boesei (existiu há cerca de 2,4 - 1 milhão de anos).
Com o domínio do fogo e o desenvolvimento das armas, o Homo Neanderthalensis, nosso antepassado mais recente (127.000 - 30.000 anos), caçava, em grupos de 10 a 15, animais de grande porte como os mamutes e outros mais pequenos como os veados, dos quais tudo era meticulosamente aproveitado. Mais tarde, as populações humanas foram criando culturas de vegetais fixas, que começaram a atrair animais como porcos selvagens, ovelhas, cães, cabras, aves, ratos e pequenos felinos, que foram sendo domesticados. Alguns animais começaram a ser mortos para consumo. Foi então que o Homem se tornou sedentário e começou a encarar os animais como alimentos.

Nas civilizações antigas
Por volta de 3200 AC, o vegetarianismo foi adoptado no Egipto por grupos religiosos, que acreditavam que a abstinência de carne criava um poder kármico que facilitava a reencarnação.
Na China e Japão Antigos (século III, AC), o clima e os terrenos eram propícios à prática do vegetarianismo. O primeiro profeta-rei chinês, Fu Xi, era vegetariano e ensinava às pessoas a arte do cultivo, as propriedades medicinais das ervas e o aproveitamento de plantações para roupas e utensílios. Gishi-wajin-den, um livro de história da época, escrito na China, relata que no Japão não existiam vacas, cavalos, tigres ou cabras e que os povos viviam das plantações de arroz, do peixe e dos crustáceos que apanhavam. Muitos anos mais tarde, com a chegada do Budismo, a proibição da caça e da pesca foi bem recebida pelas populações japonesas.
Na Índia, animais como as vacas e macacos foram adorados ao longo dos anos por simbolizarem a encarnação de divindades. O rei indiano Asoka, que reinou entre 264-232 AC, converteu-se ao Budismo, chocado com os horrores das batalhas. Ele proibiu os sacrifícios animais e o seu reino tornou-se vegetariano. A Índia, ligada ao Budismo e Hinduísmo, religiões que sempre enfatizaram o respeito pelos seres vivos, considerava os cereais e os frutos como a melhor forma (mais equilibrada) de alimentar a população. Juntamente com estas práticas religiosas, certos exercícios, como o Yoga, associaram-se ao não consumo de carne, para alcançar a harmonia e ascender a níveis espirituais superiores.
Para os povos celtas e aztecas, intimamente ligados à natureza, a carne era reservada para grandes ocasiões: as festas que serviam para estreitar os laços sociais e ligar o mundo humano ao dos deuses pagãos. De resto, quando não estava ligado ao sacrifício, o consumo de carne dependia da caça. Apenas a caça escapava à lógica do sacrifício, mas no sistema de valores da cultura celta era uma actividade marginal.

Na cultura grega e romana
A ideologia alimentar grega e romana foi fundada sobre os valores do trigo, da vinha e da oliveira. Este modelo esteve frequentemente ligado à ideia de frugalidade: o pão, o vinho e o azeite (aos quais eram acrescentados os figos e o mel) eram elevados à categoria de símbolos de uma vida simples, de uma pobreza digna, feita de trabalho duro e de satisfações singelas. Na época, estas imagens eram a proposta alternativa dos gregos ao luxo e à decadência do povo persa, conforme mostram os textos clássicos. A proeminência do pão na cultura antiga era também decorrente da primitiva ciência dietética, que colocava o pão no topo da escala de nutrição. Os médicos gregos e latinos viam no pão o equilíbrio perfeito entre os “componentes” quente e frio, seco e húmido, conforme os ensinamentos de Hipócrates. Em contraste, o consumo da carne foi sempre problemático. Imagem do luxo, da gula, da festa, do privilégio social, a carne não era considerada pelas civilizações antigas do Mediterrâneo como um bem tão essencial quanto os produtos da terra: o seu preço não era sujeito a um controlo político como eram os cereais. Em certas épocas, a venda de carne chegava a ser proibida ao público.
O matemático e filósofo grego Pitágoras e o filósofo romano Platão advogavam a não crueldade para com os animais. Eles verificaram que as vantagens de um regime vegetariano eram imensas e que este regime era a chave para a coexistência pacífica entre humanos e não humanos, focando que o abate de animais para consumo embrutecia a alma das pessoas. Os argumentos de Pitágoras a favor de uma dieta sem carne apresentavam três pontos: veneração religiosa, saúde física e responsabilidade ecológica. Estas razões continuam a ser citadas hoje em dia por aqueles que preferem levar uma vida mais responsável.
Os Essénios foram um antigo povo judeu, que viveu durante o segundo século AC, e reagiram ao excessivo abate de animais que eram feitos muitas vezes num só dia. Acabaram por ser perseguidos e mortos pelos romanos.

No Cristianismo
O Cristianismo primitivo, com raízes na tradição judaica, viu o vegetarianismo como um jejum modificado para purificar o corpo. Tertuliano (155-255 DC), Clemente de Alexandria (150-215 DC) e João Crisóstomo (347-407 DC) ensinaram que evitar a carne era uma maneira de aumentar a disciplina e a força de vontade necessárias para resistir às tentações. Isto tornou as restrições dietéticas, como o vegetarianismo, muito comuns no comportamento cristão da época. E estas crenças foram transmitidas ao longo dos anos de uma forma ou de outra - por exemplo, a proibição de carne (excepto peixe) da Igreja Católica Romana nas sextas-feiras, durante a Quaresma.
Com o estabelecimento do Cristianismo, surgiram ideias de supremacia humana sobre todas as criaturas, mas muitos grupos não ortodoxos não partilhavam desta visão. Desde então, no decorrer da Idade Média, todos os seguidores das filosofias que eram contra o abate e abuso dos animais, eram considerados fanáticos, hereges e frequentemente perseguidos pela Igreja e queimados vivos. No entanto, conseguiram escapar a este terrível destino dois notáveis vegetarianos - Santo David (Santo Padroeiro de Wales) e São Francisco de Assis. O mundo medieval considerava que os vegetais e cereais eram comida para os animais. Somente a pobreza compelia as pessoas a substituírem a carne pelos vegetais. A carne era o símbolo de status da classe alta. Quanto mais carne uma pessoa pudesse comer, mais elevada era a sua posição na sociedade.

No Renascimento
No início da era Renascentista, a ideologia vegetariana surgiu como um fenómeno raro. A fome e as doenças imperavam, enquanto as colheitas falhavam e a comida escasseava. A carne era muito pouca e um luxo apenas para os ricos. Foi durante este período que a filosofia clássica (greco-romana) foi redescoberta. O Pitagorismo e o Neo-Platonismo tornaram-se novamente uma grande influência na Europa.
Com a sangrenta conquista de novos territórios, novos vegetais foram introduzidos na Europa, tais como as batatas, a couve-flor e o milho. A adopção destes novos alimentos trouxe imensos benefícios à saúde, ajudando a prevenir doenças dermatológicas, que eram na altura muito frequentes.

No Iluminismo
Com o Iluminismo do século XVIII, emergiu uma nova perspectiva do lugar do Homem na ordem da criação. Argumentos de que os animais eram criaturas inteligentes e sensíveis começaram a ser ouvidos e objecções morais a serem colocadas, à medida que aumentava o desagrado pelo desrespeito e abuso dos animais.
Nas religiões ocidentais houve um ressurgimento da ideia de que, na realidade, o consumo de carne era uma aberração e ia contra a vontade de Deus e contra a genuína natureza da humanidade. Nestes dias, os métodos de abate eram extremamente bárbaros. Os porcos eram chicoteados até à morte com cordas cheias de nós para tornar as carcaças mais tenras, e os pescoços das galinhas eram golpeados, para depois serem penduradas e deixadas a sangrar até morrer.
Vegetarianos famosos deste período incluíram os poetas John Gay e Alexander Pope, o médico Dr. John Arbuthnot e o fundador do movimento metodista John Wesley. Grandes filósofos como Voltaire, Rousseau e Locke, questionaram a inumanidade do Homem em relação aos animais; e a obra de Paine, The Rights of Man, de 1791, despertou muitos assuntos a respeito dos direitos dos animais.

No século XIX
A influência do Cristianismo radical, no século XIX, deveu-se à grande difusão do vegetarianismo na Inglaterra e nos Estados Unidos. Os fundamentalistas cristãos provieram de grandes congregações existentes na recente e pobre zona urbana. Estes representantes estavam a sair da Inglaterra e a espalhar-se por outros países europeus, e as comunidades vegetarianas nos Estados Unidos eram formadas maioritariamente por Adventistas do Sétimo Dia. Um notável praticante desta religião era o Dr. John Harvey Kellogg, o inventor dos cereais Kellogg`s.
Por volta de 1880, os restaurantes vegetarianos eram populares em Londres e ofereciam refeições baratas e nutritivas.

No século XX
Com o virar do século XX, a população britânica encontrava-se ainda num estado de pobreza. A Sociedade Vegetariana, durante a crise de 1926, distribuía alimentos às comunidades mais carenciadas - o vegetarianismo e o humanitarismo estiveram sempre proximamente relacionados.
Devido à escassez de alimentos durante a Segunda Guerra Mundial, os britânicos foram encorajados a “Escavar para a Vitória” (Dig For Victory), para cultivarem os seus próprios vegetais e frutas. A dieta vegetariana manteve a população, e a saúde das pessoas melhorou muito durante os anos em guerra.
Nos anos 50 e 60 do século XX, muitas pessoas tomaram consciência do que se passava nas unidades de produção intensiva, introduzidas após a guerra. O vegetarianismo tornou-se muito apelativo quando as influências orientais se espalharam pelo mundo ocidental.
Durante as décadas de 80 e 90, o vegetarianismo ganhou um maior ímpeto, quando o desastroso impacto que a população humana estava a causar no planeta se tornou mais evidente. Os assuntos ambientais dominaram os noticiários e estiveram durante muito tempo em primeiro plano na política. O vegetarianismo foi encarado como parte do processo para a conservação dos recursos.

Actualmente
Mais recentemente, assuntos como as importações de gado foram motivo de oposição ao consumo de carne por parte de muitas pessoas, por todo o Reino Unido. Preocupações em relação à saúde surgiram quando as pessoas se aperceberam de que os animais para consumo estavam infectados com doenças como a “doença das vacas loucas” (BSE), listeria e salmonelas.
Desde os anos 80 do século XX, a consciência popular tem-se focado cada vez mais num regime de vida saudável. O vegetarianismo passou então a ser associado à saúde e dados cada vez mais concretos apontaram a carne como causa de inúmeras doenças. Consequentemente, o não consumo de carne e outros produtos animais foi associado à não-violência e ao respeito pelos animais. Desde então organizações de defesa animal e promoção do vegetarianismo/veganismo começaram a ganhar cada vez mais força e a desenvolver acções mundiais.
Os benefícios do vegetarianismo têm sido evidentes ao longo de todas as culturas, e uma dieta exclusivamente à base de vegetais tem mantido a população humana desde há milhões de anos atrás.
Com a população global a crescer de forma exaustiva e os recursos a decrescerem de forma assustadora, o vegetarianismo/veganismo é considerado por muitos como a solução para todos os problemas da humanidade e irá influenciar grandemente o futuro das gerações que se seguem.


Referências:
http://www.vegetarianismo.com.br/artigos/carne-imperio-romano.html
http://www.vegsoc.org/news/2000/21cv/ages.html
http://www.vegsoc.org/members/history/150hist.html
http://www.ivu.org/history/museum.html
http://www.vegetarianismo.com.br/artigos/veg-na-antiguidade-greco-romana.html
http://www.vegetarianismo.com.br/artigos/HistoriaDovegetarianismo.html
Super Interessante, 18ª edição, Outubro de 1999.



http://www.centrovegetariano.org/Article-300-Vegetarianismo%2Bao%2Blongo%2Bda%2BHist%25F3ria.html











Vegetarianismo

Autor: Dr. George Guimarães
É considerada vegetariana a pessoa que elimina de seu cardápio o consumo de todo tipo de carne (boi, frango, peixe, frutos do mar). Os motivos que levam uma pessoa a adotar uma dieta vegetariana são diversos. Entre eles estão: saúde, meio ambiente, compaixão pelos animais e religião.

Existem várias formas de vegetarianismo, classificadas de acordo com o grau de restrição de alimentos:

Ovo-Lacto-Vegetarianos - Consomem ovos, leite e derivados. É a forma mais comum de vegetarianismo.

Lacto-Vegetarianos - Consomem leite e derivados. Não consomem ovos. Geralmente relacionados com filosofias indianas. Esta é a característica alimentar da maioria da população indiana.

Vegans ou Vegetarianos Puros - Não consomem nenhum produto de origem animal, inclusive ovos, leite e derivados, gelatina e mel. Os vegans vão ainda além da questão alimentar, abstendo-se também do consumo de lã, couro e cosméticos que contenham derivados animais ou que tenham sido testados em animais. É a forma mais completa e mais rara de vegetarianismo, apesar do número de adeptos estar crescendo ultimamente.

Pessoas que incluem carnes em sua alimentação são chamadas de onívoras.


Estudos científicos constantemente provam os benefícios que uma dieta vegetariana proporciona, que vão desde melhor desempenho nos esportes à reversão de doenças do coração:

Controle de Peso: Uma dieta isenta de produtos animais é pobre em gordura, o que reduz o conteúdo calórico da refeição. Além disto, outros fatores como o conteúdo de fibras da dieta também contribuem para a redução e manutenção do peso ideal. Para obter a mesma quantidade de calorias, a pessoa precisa ingerir uma quantidade maior de alimentos, o que possibilita mais saciedade com menos calorias.

Redução do Risco de Doenças do Coração: Além de ser mais pobre em gordura, uma dieta sem produtos animais (carnes, ovos, leite e derivados) é totalmente isenta de colesterol. A abundância de fibras da dieta ainda ajuda o organismo a eliminar o colesterol excessivo.

Redução do Risco de Desenvolver Câncer: Os alimentos de origem vegetal são muito ricos em vitaminas e minerais que são de fundamental importância para uma boa saúde. A baixa quantidade de gordura e a abundância de fibras presentes nestes alimentos também contribuem para a redução do risco de desenvolver várias formas de câncer.

Outros Benefícios: Melhora a disposição e energia, possibilita a descoberta de novos alimentos, reduz o risco ou amenizar os efeitos de doenças degenerativas como osteoporose, obesidade e hipertensão, reduz os sintomas ou elimina alergias e artrites, evita sofrimento de animais, reduz as agressões ao meio ambiente.

Uma dieta vegetariana é um passo obrigatório no caminho de uma vida saudável!
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Muitos se perguntam o que resta para um vegetariano puro (vegano) comer já que ele elimina todos os alimentos de origem animal de sua alimentação. Veja só quantos alimentos ainda sobram:
Vegetais: folhas, legumes, brotos

Cereais:
arroz integral, trigo, aveia, milho e cevada

Leguminosas:
feijão, lentilha, grão-de-bico, soja, ervilha

Tubérculos:
batata, mandioca, mandioquinha, cará, inhame

Frutos oleaginosos:
nozes, amêndoas, castanhas, avelã

Frutas:
banana, caqui, pinha, fruta do conde, mamão, figo, tâmara, frutas secas, manga, uvas, ameixa doce, pêssego doce, pêra, maçã, abacaxi, morango, maracujá, frutas cítricas, carambola, kiwi, tomate, maçã fuji e maçã verde, melão, melancia.

Enfim, tudo que é vegetal. Dá pra comer bem, não dá? Os ovo-lacto-vegetarianos ainda incluem em seus cardápios os ovos, o leite e seus derivados.

O mais provável é que a dieta vegetariana traga muitos benefícios para quem a pratica, mas alguns cuidados são necessários.

Em primeiro lugar, a pessoa deve procurar a orientação profissional de um nutricionista, como em qualquer transição alimentar. Não é incomum que vegetarianos se queixem de terem procurado um nutricionista e terem sido mal orientados na sua opção alimentar, muitas vezes tendo recebido a recomendação de voltar a comer carne. A verdade é que os profissionais desta área estão mal preparados, desde a faculdade, para lidar com pacientes vegetarianos, por isso é importante buscar dentre os poucos nutricionistas que se especializam em dietas vegetarianas ou alternativas.

A informação é a principal arma de quem busca adotar uma dieta vegetariana. É preciso conhecer novos alimentos, aprender novas receitas e saber quais são as fontes dos nutrientes mais importantes. Quanto mais informada a pessoa estiver, mais apta ela estará a discernir entre fatos e mitos, o qu eé muito importante quando se trata de nutrição vegetariana.

Uma das questões mais rodeadas de mitos no vegetarianismo é a questão em torno da proteína. Os alimentos vegetais são capazes de suprir o organismo com toda a proteína necessária, seja para uma criança, um idoso ou até mesmo um atleta. Na verdade, existem muitos atletas vegetarianos famosos, como Emerson Fittipaldi, Éder Jofre, Carl Lewis,

Vale saber também que existem muitas crianças vegetarianas (e até mesmo vegans) e elas podem crescer saudáveis e felizes neste estilo alimentar desde o nascimento. Neste caso, alguns cuidados especiais devem ser observados e se torna ainda mais importante a presença de um profissional especializado em nutrição vegetariana.

Boas fontes de proteína são as leguminosas (feijão, soja, grão-de-bico, ervilha, lentilha), as castanhas e o brócolis. Quando a dieta não é rica em alimentos refinados, não há grandes preocupações com a proteína ou o ferro.

O ferro é outro nutriente polêmico da alimentação vegetariana e igualmente rodeado de mitos. Será que o vegetariano corre risco de anemia por não consumir carne vermelha? É verdade que a carne vermelha tem muito ferro, mais ferro que os vegetais em geral, mas isto não significa que os vegetais não possam suprir as necessidades de ferro do organismo. Desde que se assegure que alguns estejam presentes na dieta, o vegetariano pode ficar tranqüilo. Boas fontes de ferro são: soja, tofu (queijo de soja), feijão, vegetais de folha verde-escura (brócolis, couve), amêndoas, semente de girassol, damasco seco e figo seco.





 http://www.guiavegano.com.br/nutricao/george/vegetarianismo.html




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