A VIDA É O QUE FAZEMOS DELA!

sábado, 24 de abril de 2010

Vinhedo do Desepero


Desorientado, Armand, caminhava por uma extensa trilha de terra batida, permeada por densa e bela vegetação.
Aflito procurava algo que lhe escapava à memória, mas não ao coração, este, apertado no peito, sufocava-o na ânsia e expectativa de encontrar o que desconhecia, que era-lhe indispensável à existência.
Vagou, aturdido, ao que lhe pareceram horas, num espetacular campo verdejante, recoberto de flores e arbustos frutíferos...um fleche: lindo e angelical rosto feminino, sorrindo lhe oferecia uma daquelas amoras pendentes no arbusto. Pálido, coração galopante, tinha certeza que o que procurava era ela, mas...onde? A visão dela cortara-lhe a mente! Fagulhas incandescentes mostravam-lhe uma ventura inenarrável, porém, estranhamente esquecida! Aquela terrível dor de cabeça incessante o enlouquecia,levou a mão à cabeça e sentiu-a úmida, apavorou-se ao ver sangue! Teria caído e, ao bater a cabeça esquecera-se de tudo? Mesmo de alguém que lhe parecia marcada à fogo em seu coração? Precisava encontrar a resposta...olhou ao redor e parecia familiar, caminhou instintivamente e ao longe, divisou um lindo casarão! Um relâmpago de esperança :reconhecia a casa! Correu para lá, abrindo bruscamente a porta de madeira maciça e procurou, vasculhou sem nada perceber, até notar um enorme quadro em cima da lareira,...caminhou, até ele e viu-se ao lado da bela jovem que enchia sua memória devastada, reconheceu sua adorada esposa! As lembranças voltavam enquanto lágrimas transbordavam de seus olhos; desesperou-se e avançou para a escada que dava acesso ao andar superior, subiu-a, saltando degraus....viu a porta do quarto principal, empurrou- a , e viu, chocado, nos alvos e macios lençóis de seda, o corpo inerte de sua adorada Sophie! Nem mesmo a mortalha lhe roubava a beleza...atirou-se sobre ela e tentou beijar-lhe a face marmórea e fria....inutilmente... não conseguia tocá-la, embora tentasse. Angustiado, olhava ensandecido, ao redor procurando uma explicação, quando percebeu uma perna, estirada ao lado oposto à cama, dirigiu-se até lá, e...viu-se, caído morto, uma arma na mão direita; arregalou os olhos e tocou novamente a cabeça que sangrava...como era possível! Ao ver uma carta aberta perto de sua mão esquerda, inclinou-se e leu " Meu amor, por favor volte rápido! Sinto-me cada vez mais fraca, a tuberculose avançou, tenho medo de não conseguir despedir-me de você. Com eterno amor. Sophie." Fechou os chorosos olhos, apertando-os como se isso fosse afastar a dantesca verdade....o terrível pesadelo! Lembrou-se de receber a carta enquanto negociava os vinhos de seus vinhedos, planejava levar Sophie às montanhas, esperava que novos ares restituíssem a saúde da amada, ao ler a carta retornara ao lar, imediatamente, mas chegara tarde...enlouquecido pela dor e desespero, findou a própria vida...ajoelhado, agora, ao lado de seu cadáver, ergueu as mãos tremulas, enterrando-as nos enbaraçados cabelos e gritou: Não!


Adriana La Terza





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