A VIDA É O QUE FAZEMOS DELA!

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Irmãos Pang

Gênios do terror asiático







Quem gosta de filmes de terror tem obrigação de conhecer os irmãos Pang. Nascidos em Hong Kong em 1965, os irmãos gêmeos Danny Pang Fat e Oxide Pang Chun são as mentes por trás da série The Eye, de grande sucesso no oriente mas injustiçado no mercado brasileiro por ter sido lançada aos pedaços e com títulos traduzidos de forma errada, causando uma grande confusão na cabeça dos consumidores.

Danny é conhecido por seu trabalho de edição e trabalhou em diversos filmes de Hong Kong, incluindo Conflitos Internos (Infernal Affairs, de Andrew Lau - China, 2002) que ganhou uma versão relativamente recente refilmada por Martin Scorsese, o filme Infiltrados (The Departed, EUA - 2006) com atuações de Leonardo Dicaprio, Jack Nicholson e Matt Demon. Esta é uma das poucas refilmagens realizadas a partir de filmes com o nome dos irmãos Pang que fez juz ao seu passado, ficando na mesma linha de qualidade que seu original, com algumas licenças poéticas para a conclusão da trama.

Oxide Pang começou sua carreira trabalhando como colorista do Kantana Group's em Bangkok. Seu primeiro filme experimental, de 1997, chamado Who Is Running?, foi o representante oficial da Tailândia no Oscar de 1998, dando iníncio à promissora carreira de Oxide como diretor. O filme é um drama cármico que trata de uma noiva em desespero para salvar a vida de seu futuro marido, que sofreu um grave acidente. Para salvá-lo, ela deve salvar a vida de 7 pessoas, pois seu noivo em uma vida passada havia matado o mesmo número de vítmas.

Juntos, os irmãos gêmeos são responsáveis pelo que se chamou de "Trilogia Bangkok", 3 crime films sob a mesma vertente de gêneros ação/policial que se passam em Bangkok: Bangkok Dangerous (dos Pang Brothers, Tailândia - 1999), que ganhou um remake estrelado por Nicholas Cage em 2008 chamado Perigo em Bangkok, 1+1=0 (de Danny Pang) e Som and Bank: Bangkok for Sale (de Oxide Pang).

OS OLHOS DOS IRMÃOS PANG

A série The Eye, composta por três filmes, The Eye - A Herança (China, 2002), Visões (The Eye 2, China - 2004) e Visões 2 (The Eye 10, China - 2005), trata de 10 formas e casos em que é possível ter contatos com seres do além, de forma madura e plástica, totalmente fora do convencional padrão de horror de Hollywood. Estes filmes tiveram seus titulos esbagaçados no Brasil, tirando toda a ordem dos lançamentos. Isto se deu pelo fato de o primeiro filme não ter sido lançado nos cinemas e ter saído direto em DVD. Com o seu sucesso, a indústria resolveu lançar o The Eye 2 nas salas escuras, entendendo que poderia gerar um bom rendimento financeiro. Como não havia uma divulgação percursora da série para tal, a solução pífia encontrada foi lançar o segundo filme com um título de fílme único: Visões. Desta forma, os desavisados estavam assistindo o segundo filme de uma série sem saber. Para completar a bagunça, o terceiro filme, chamado The Eye 10, foi entitulado Visões 2.

O interessante é que a série de 3 filmes possui os números 1, 2 e 10, mas existe uma explicação. O primeiro e o segundo filme tratam de três maneiras de se entrar em contato com seres do além. Assim que os irmãos Pang souberam do interesse de Hollywood em refilmar suas obras, resolveram chutar o balde com o terceiro filme, realizando o que chamamos de Terrir, um misto de terror com comédia, tirando todas as chances de uma nova aquisição de direitos autorais para a refilmagem. O número 10 refere-se as 7 últimas maneiras de se entrar em contato com fantasmas e espíritos, somadas às 3 primeiras dos 2 filmes anteriores.

Fica a dica para quem não conhece o trabalho dos caras, alugar os três filmes na sequência, pois é garantia de terror de qualidade, diferente de tudo que se está acostumado nos padrões blockbuster.




JOHN MILTON



O pai de John Milton, John Milton Senior (c. 1562 – 1647) mudou-se para Londres cerca de 1583 depois de ser deserdado pelo seu devoto católico pai Richard Milton, um próspero proprietário agrícola em Oxfordshire, por ter revelado o seu protestantismo. Por volta de 1600 o pai do poeta casa-se com Sara Jeffrey (1572 – 1637), e John Milton nasce a 9 de Dezembro de 1608, em Cheapside, Londres, Inglaterra.

Milton foi educado na St Paul's School, em Londres. Estava destinado originalmente a uma carreira eclesiástica, mas a sua independência de espírito levaram-no a desistir. Matriculou-se no Christ's College, Cambridge em 1625 e ali estudou durante sete anos, antes de tornar mestre em Artes cum laude (com louvor) a 3 de Julho de 1632. Em Cambridge, Milton foi tutor do teólogo americano Roger Williams em hebreu, por troca com lições em holandês.

Aparentemente, a sua experiência em Cambridge não foi a mais positiva, como se comprova nos seus escritos mais tarde sobre educação. Ao terminar os seus estudos, em discíplinas como teologia, filosofia, história, política,literatura e ciência, Milton foi considerado um dos mais bem preparados e educados poetas ingleses de sempre. Num poema em latim, provavelmente composto na década de 1630, Milton agradece ao seu pai todo o apoio que recebeu no seu período escolar.

Após terminar os seus estudos, em 1638, Milton realiza uma viagem por França e Itália, tendo tido oportunidade de conhecer o astrónomo italiano Galileu Galilei. Em Junho de 1642, com 33 anos, Milton casa-se com Mary Powell, de 16 anos de idade. Um mês depois, ela visita os seus pais e não regressa. Nos três anos seguintes Milton publica uma série de panfletos defendo a legalidade e moralidade do divórcio. O primeiro, intitulado The Doctrine and Discipline of Divorce (A doutrina e disciplina do divórcio), no qual ele ataca a lei do casamento inglesa (a qual era uma quase completa transcrição das leis medievais da Igreja Católica, sancionando o divórcio apenas em casos de consaguinidade). Em 1645, Mary finalmente regressa. Em 1646, a sua família, tendo sido expulsa de Oxford por apoiar Carlos I durante a Guerra Civil Inglesa, muda-se, juntamente com o casal. Tiveram quatro filhos: Anne, Mary, John, e Deborah. A sua esposa Mary morreu a 5 de Maio de 1652, de complicações de parto, após o nascimento de Deborah a 2 de Maio, o que afectou profundamente Milton, como se torna evidente no seu 23º soneto. Em Junho, John morre com 15 meses; as suas irmãs sobeviem até à idade adulta. A 12 de novembro de 1656, Milton casa-se com Katherine Woodcock. Ela faleceu a 3 de Fevereiro de 1658, menos de quatro meses de dar à luz sua filha Katherine, que igualmente faleceu a 17 de Março. A 24 de Fevereiro de 1663, Milton casa-se com Elizabeth Minshull, que dele cuidou até ao seu falecimento, a 8 de Novembro de 1674.




John Milton (9 de dezembro de 1608 - 8 de novembro de 1674) foi um escritor inglês, um dos principais representantes do classicismo de seu país, e autor do célebre livro O Paraíso Perdido, um dos mais importantes poemas épicos da literatura universal. Foi político, dramaturgo e estudioso de religião. Apoiou Oliver Cromwell durante o período republicano inglês, porém foi preso e acabou por ficar cego; na prisão, ditou o Paraíso Perdido, sua obra-prima, que conta a história da queda de Lúcifer, e foi publicado em 1667. Quatro anos mais tarde, lança o livro Paraíso Recuperado, uma seqüência do primeiro poema, trata da vinda de Cristo à Terra reconquistar o que Adão teria perdido.



Obras principais


L'Allegro (1631)
Il Penseroso (1633)
Comus (a masque)(1634)
Lycidas (1638)
Areopagitica (1644)
Paradise Lost (O Paraíso Perdido) (1667)
Paradise Regained (Paraíso Recuperado) (1671)
Samson Agonistes (Sansão Guerreiro) (1671)



GEORGE A. ROMERO




Nome: George Andrew Romero
Nome Artístico: George A. Romero
Data de Nascimento: 04/02/1940

Nacionalidade: Estados Unidos

"Zumbis, para mim, sempre representaram mudança, um tipo de força exterior"

Mestre dos filmes de terror, George Andrew Romero é conhecido como o Rei dos Zumbis. Nascido na cidade de Nova York, em 4 de fevereiro de 1940, começou sua carreira de diretor aos 20 anos, logo depois de se formar na universidade. Seus primeiros trabalhos foram curtas e filmes para TV, como episódios de Mister Rogers´ Neighborhood, série que inspirou a paixão de Romero pelo terror. Em um dos capítulos, o personagem Mister Rogers sofreu uma operação para retirada das amídalas. Naquele mesmo ano de 1960, junto de amigos, fundou a produtora Image Ten Productions. Oito anos depois, eles produziriam um dos mais celebrados filmes de terror de todos os tempos: A Noite dos Mortos Vivos.

O longa tem direção e roteiro de Romero, escrito ao lado de John A. Russo, seu parceiro em muitos outros filmes. Filmada em preto-e-branco, a produção custou pouco mais de US$ 100 mil e conta a história de um grupo de pessoas que se esconde de zumbis em uma fazenda, quando os mortos-vivos saem de suas sepulturas sedentos por sangue. Mais tarde, já no início dos anos 90, o clássico seria refilmado por Tom Savini. A segunda versão tem roteiro adaptado pelo próprio Romero e também produção executiva.


Em 1971, o diretor vai na contramão do gênero favorito, lançando a comédia romântica There´s Always Vanilla. Logo depois, ele decidiu retornar ao terror filmando Season of the Witch, também conhecido por Hungry Wives, centrado no mundo da bruxaria. Foi nos bastidores do longa que ele conheceu a atual esposa, Christine Forrest. A atriz fez ponta em vários filmes do marido e chegou a colaborar, ainda, como produtora.

Na mesma década, o cineasta comandou também: O Exército do Extermínio, que traz a luta do grupo recrutado pelo governo para eliminar a população infectada por um estranho vírus, e o sucesso de crítica, Martin, em que faz parte do elenco. O mito dos vampiros é desconstruído através do personagem que dá nome ao longa.

De volta ao mundo dos zumbis em 1979, Romero colabora também na montagem de Zombie - O Despertar dos Mortos, ao lado de outro mestre do terror, o italiano Dario Argento. O longa, que lucrou US$ 55 milhões em todo o mundo, acompanha dois policiais, um repórter e a namorada, refugiados em um shopping center para fugir de uma epidemia dos zumbis. Alguns anos depois, em 2004, a Universal lançaria a refilmagem da produção, Madrugada dos Mortos, sem qualquer participação de seu criador.

Cavaleiros de Aço, de 1981, foi um de seus primeiros filmes com alto orçamento e elenco conhecido. Protagonizada por Ed Harris, a produção conta a história de um grupo de cavaleiros que participa de competições medievais usando motos no lugar dos tradicionais cavalos. O diretor lançou mais um sucesso no ano seguinte: Creepshow - Show de Horrores, que reúne várias histórias macabras escritas por Stephen King, adaptadas dos quadrinhos de 1950. Já em 1985, Romero comandou o terceiro filme da série com os mortos-vivos, que marcaria o início de uma declinada em sua carreira. O terror O Dia dos Mortos mostra mais uma vez sobreviventes do ataque dos zumbis, que se escondem em um abrigo subterrâneo e tentam encontrar um meio de derrotar as criaturas.

1988 trouxe às telas Comando Assassino, com o roteiro adaptado pelo próprio Romero do livro de Michael Stewart. O longa, sobre um homem tetraplégico e um macaco treinado que aos poucos vira seu instrumento de vingança, ganhou prêmios em festivais, mas não teve boa recepção junto ao público. Em 1991, o diretor se junta mais uma vez a Dario Argento no comando de Dois Olhos Satânicos. Ambos estiveram presentes também no roteiro do longa, ao lado de Franco Ferrini e Peter Koper, em uma adaptação de vários contos de Edgar Allan Poe. Dois anos mais tarde, Romero leva aos cinemas um romance de Stephen King: A Metade Negra, roteirizado pelo diretor, conta a intrigante história de Thad Beaumont, que tem dentro da cabeça o resto do cérebro de um irmão gêmeo morto antes de nascer.

Não tendo obtido o mesmo reconhecimento em termos de bilheteria dos seus filmes de zumbis, o cineasta passa sete anos sem uma nova produção. Nesse intervalo, ele aparece como um dos prisioneiros de Hannibal Lecter em O Silêncio dos Inocentes, de 1991. É também durante este tempo longe da sétima arte que Romero filma o comercial japonês do game Resident Evil 2. O trabalho foi considerado tão bom que seu nome chegou a ser cogitado para comandar a adaptação para os cinemas. Mesmo tendo recusado de início, ele chegou a escrever um script do longa. Mas seu retorno às telas é com A Máscara do Terror, que não repete, mais uma vez, o sucesso de suas primeiras obras.

Só em 2005, o diretor traz de volta às telas as criaturas que lhe renderam fama. Em Terra dos Mortos, os zumbis dominaram o mundo e as pessoas que conseguiram sobreviver estão confinadas em uma cidade cercada por muros. Com críticas positivas e bom retorno financeiro, o longa abre as portas para Diary of the Dead, lançado no começo de 2008. Desta vez, os mortos-vivos perseguem um grupo de estudantes que está fazendo um filme de terror numa floresta. Com boa recepção no Festival de Toronto, Romero já anunciou os planos de fazer uma continuação.

Porém, a escolha do diretor para seu próximo trabalho foi ...of the Dead, que apesar de ter a sinopse que seria a de Diary of the Dead 2, não pode ser considerado uma seqüência direta. O terror se passa em uma ilha, onde, segundo um anúncio na internet, as pessoas estariam protegidas contra os mortos-vivos. Mas o que o local realmente oferece é mais ameaças de ataques. O filme deve chegar aos cinemas em 2009.

George A. Romero é muito mais do que um simples diretor de cinema. Não só pelo fato de participar também do roteiro e produção de muitos de seus filmes, chegando a atuar em alguns e montar outros. Mas por ter revolucionado o gênero do terror, se tornando uma lenda por meio de longas com enredos tão incomuns e até mesmo bizarros. O sucesso de suas produções acabou criando um subgênero, o dos mortos-vivos. Para o cineasta, o terror é o gênero que nunca morre. Assim como seus zumbis.


Sam Raimi



Vindo de uma família de judeus de ascendência polonesa, Samuel Marshall Raimi se encantou pelo cinema assim que seu pai comprou uma câmera super-8 para registrar sua família. O garoto, ao contrário, encontrou outra utilidade para o equipamento, passando a fazer filmes com ajuda de seu amigo Bruce Campbell. Mais tarde, os dois, juntamente com Robert Tapert, realizaram um filme de terror de 30 minutos, Within the Woods. A qualidade do curta fez com que eles conseguissem espaço para trabalhos mais profissionais e, assim, fizeram o primeiro título da trilogia Uma Noite Alucinante.

Entre a realização dos três filmes que lhe colocaram em um lugar de destaque entre os diretores de terror americanos, Sam Raimi realizou Dois Heróis Bem Trapalhões, com roteiro dos irmãos Coen, e Darkman - Vingança Sem Rosto. Para mostrar que não é diretor de um só gênero, realiza ainda o western Rápida e Mortal, os suspenses Um Plano Simples e O Dom da Premonição e o drama Por Amor. Em 2002, lança o primeiro filme de sua segunda trilogia de sucesso, Homem-Aranha. Depois de concluída, ele promete outra trilogia do mesmo herói. *


Quando era estudante de letras e história na Universidade de Michigan, Sam Raimi decidiu que faria filmes, mas não sabia por onde começar. O passo óbvio seria fazer uma escola de cinema e iniciar a profissão como um mortal comum. Mas Raimi nunca teve a vocação para seguir regras. Passou a fazer comédias bobas em Super-8 e anunciava exibições baratas no jornal local. O jovem cineasta ficava nas exibições para ver como a plateia reagia a seus erros e acertos. Empolgado com a evolução da sua técnica, Sam gastou todas as suas economias (US$ 4 mil) para alugar uma sala de cinema e projetar uma de suas obras amadoras. Apenas uma pessoa apareceu... e saiu dez minutos depois, gritando palavras de baixo calão.
A experiência não desanimou o futuro diretor. Quando ele resolveu investir US$ 40 mil em um filme de terror aos 21 anos, um grupo de médicos ajudou no investimento em troca dos direitos de distribuição do longa. O resultado foi uma produção de horror que mudou o gênero para sempre. Extremamente violento, com elenco formado por semiprofissionais, barato e bem-humorado, A Morte do Demônio foi um sucesso de bilheteria, ganhou status instantâneo de cult e revelou ao mundo um cineasta inventivo. E foi assim, passando por cima de tabus hollywoodianos, que Sam Raimi fez mais duas sequências para a saga de horror, assumiu uma franquia bilionária de super-heróis (O Homem-Aranha) e voltou a dirigir um novo longa de terror quase 15 anos depois de ter filmado Uma Noite Alucinante 3. A principal característica de Arrasta-me para o Inferno, que estreia neste mês no Brasil, é justamente a quebra dos clichês do estilo.
1 - Pureza dos Heróis
Os (as) mocinhos (as) sempre são inocentes e incapazes de praticar atos conscientes de maldade nas obras de terror dos últimos anos. Quando escorregam no caráter, são perseguidos por isso - por exemplo, os jovens assassinos de Eu Sei o que Vocês Fizeram no Verão Passado (foto à esq.). Raimi não quer saber disso em Arrasta-me para o Inferno. A protagonista, Alison Lohman, faz uma gerente de banco ambiciosa que, almejando uma promoção, nega uma nova hipoteca para uma pobre idosa. Premissa cruel em tempos de recessão nos Estados Unidos.
2 - A dama em Perigo
Se o horror gerou rainhas do grito como Jamie Lee Curtis em Halloween (foto à dir.) e a Sarah Michelle Gellar de O Grito, Arrasta-me para o Inferno troca a mocinha indefesa pela gatinha que tem garganta, mas sabe como usar as mãos. Numa das sequências mais marcantes, a protagonista sai no braço com a velha cigana que a amaldiçoa após o empréstimo ser negado, com direito a um grito de vitória nada politicamente correto: "Te detonei, vaca velha!".
3 - Fantasmas de Crianças
A maior praga do cinema de horror moderno surgiu no Oriente no fim dos anos 90. Após o sucesso de Ringu, de Hideo Nakata, e do remake americano, batizado de O Chamado (foto à esq.), fantasmas infantis passaram a ser quase uma obrigação no gênero - nem o fenômeno O Sexto Sentido escapou da armadilha. Entre longas horrorosos (Alma Perdida, Medo.com), boas ideias (O Orfanato, Os Outros) e adaptações (Terror em Silent Hill), o horror moderno incorporou o estilo. Aliás, nem o próprio Sam Raimi escapou da moda ao produzir o fraco O Grito. Mas ele não quis saber de Gasparzinho em seu retorno ao terror. A única criança atormentada no longa é possuída pelo demônio Lamia (clara homenagem a Night of the Demon, filme dirigido por Jacques Tourneur em 1957) e é, literalmente, sugada para o inferno nos primeiros dez minutos.
4 - Diversão proibida
O horror sempre se levou muito a sério. Alguns especialistas defendem que a qualidade do filme tem a ver com a falta de humor na trama. Raimi, mais uma vez, subverte o gênero de forma radical. Da mesma maneira que produz cenas escatológicas e assustadoras, o cineasta não tem vergonha de causar risadas. Qual longa mostra a protagonista quase engolindo o olho de vidro da vilã ou acabando um funeral ao tropeçar no cadáver? Os fãs mais conservadores tendem a ficar perdidos com a mistura de estilos, mas é o que o cineasta mais gosta de fazer desde Uma Noite Alucinante (foto acima) - sua marca é sempre uma referência aos Três Patetas, de quem é fã declarado - e gerou seguidores importantes como Peter Jackson (Os Espíritos, O Senhor dos Anéis) e Guillermo Del Toro (Hellboy).
5 - Ninguém Acredita na Mocinha
Nos filmes de terror gerados pela safra pós-Pânico, a vítima sempre é ridicularizada ao falar que está sendo perseguida por um maníaco ou maldição. Não é o que acontece em Arrasta-me para o Inferno: a mocinha recebe o apoio do noivo (Justin Long), que a apoia mesmo quando a história de que um demônio levará sua amada para o inferno em três dias fica cada vez mais absurda (foto à dir.).
6 - Ser Minoria é fatal
É uma regra tão antiga quanto o terror no cinema. Se você faz parte de uma minoria, o Jason (foto à esq.) de Sexta-Feira 13 vai passar o machado sem dó até restar apenas o casal branco, heterossexual e bonito que protagoniza as obras. Sam Raimi até usa um casal wasp como a estrela do longa, mas eles precisam recorrer a um vidente do Leste Europeu. Além disso, a médium que pode salvar a vida de Christine Brown é uma mexicana, interpretada por Adriana Barraza (indicada ao Oscar por Babel).
7 - Faça sexo e morra!
Como Sam Raimi escreveu o roteiro em 1992 e queria fazer uma homenagem aos filmes de terror da década de 1950, não há muito sexo em Arrasta-me para o Inferno, o que chega a ser uma afronta às novas regras do gênero.
8 - Salve os Animais
Se Sylvester Stallone quase morre ao salvar um cãozinho em Daylight, a mocinha Alison Lohman não quer saber de clichês hollywoodianos no filme. Quando ela descobre que o sacrifício de um animal pode livrá-la da maldição da cigana, não pensa duas vezes em passar a faca no gatinho que ganhou - apesar de o sangue de bode ser mais potente.
9 - Os vilões só morrem no final,
mas ressuscitam
Não adianta matar Jason, Freddy Krueger (foto à dir.) ou Michael Myers: eles sempre voltam nas continuações. E morrem invariavelmente no final do filme seguinte. Sam Raimi é mais rápido. Ele mata a cigana-bruxa da atriz Lorna Raver já na metade de sua história. Mesmo no caixão, ela consegue atormentar a vida da sua inimiga até os minutos finais - em outro tributo de Raimi, agora a Poltergeist.
10 - Finais felizes
Bem, o editor desta reportagem disse que transformaria minha vida num filme de terror se eu revelasse o final. O que eu posso dizer é que Arrasta-me para o Inferno, acredite, não tem esse nome à toa.


Evil Dead


Evil Dead


Drag me to hell

Homem-Aranha

Stan Lee

Stan Lee nasceu no apartamento dos seus pais, imigrantes romenos-judeus, na esquina da Rua West 98th com a Avenida West End, em Manhattan. O pai dele, que era alfaiate, não conseguia emprego devido a Grande Depressão que assolava o país e se mudou com sua família para um bairro mais pobre da cidade, chamado Washington Heights. Quando Lee tinha nove anos, nasceu seu único irmão, Larry Lieber. Lee freqüentou o colégio DeWitt Clinton, no Bronx, pra onde sua família se mudou em seguida. Lee era um leitor voraz, que adorava escrever quando adolescente e começou a vida de trabalho em empregos como escrever obituários para um serviço de notícias do Centro Nacional de Tuberculose (o_O); entregar sanduíches; office-boy de uma fábrica de calças; lanterninha do Rivoli Theater e até vendedor de assinaturas para o jornal New York Herald Tribune. Ele se formou no ensino médio cedo, com 16 anos. Então, se juntou ao WPA Federal Theatre Project. Com a ajuda de seu tio, Robbie Solomon, o cunhado do editor de quadrinhos Martin Goodman, Lee começou como assistente na recém-criada Timely Comics, uma divisão da companhia do Goodman. Essa Timely, algumas décadas mais tarde, se tornaria o que conhecemos hoje como Marvel Comics. Ô! =D Pouco tempo mais tarde, Lee foi oficialmente contratado por Joe Simon, editor da Timely. O primeiro trabalho publicado por Lee foi um texto na revista Captain America Foils de Traitor´s Revenge, em maio de 1941, onde o seu pseudônimo (que virou seu nome oficial, mais tarde) surgiu pela primeira vez. De acordo com Lee, ele queria “guardar seu nome para trabalhos mais literários”. Que beleza! Então, de “redator quebra-galho”, Lee subiu de cargo duas edições mais tarde. Quando Joe Simon e seu parceiro Jack Kirby fecharam o pau com Goodman, Stan virou Editor da Timely… Com apenas 19 anos. O tino comercial que Stan Lee possuía o manteve no cargo por um bom tempo, até que virou Editor-Chefe e, em 1972, substituiu Goodman. Mas calma, muita coisa antes aconteceu. =] Em 1942, Stan Lee entrou para o Exército. Lá, ele escreveu manuais, cuidou de filmes de treinamento e slogans… fazendo desenhos de vez em quando. A classificação de Lee no exército, “playwright”, só foi dada para apenas nove homens em todo o exército estadunidense… Que coisa! Três anos depois, Lee estava de volta. No começo da década de 50 (a editora já era chamada de Atlas Comics), uma “campanha em prol da decência”, liderada pelo psiquiatra Dr. Frederic Wartham e pelo senador Estes Kefauver culpou os quadrinhos por “corromper os jovens leitores com imagens de violência e sexualidade”. Dessa palhaçada surgiu o tão temido Comics Code, que até hoje preenche o saco de muita gente. Nesse período, Lee escreveu histórias de vários gêneros, como romance, velho oeste, humor, ficção científica, aventuras medievais, terror e suspense. No fim da década, Lee (agora morando com sua família em Hewlett Harbor, Nova York), A Revolução Marvel No fim da década de 50, o editor Julius Schwartz, da DC Comics, conseguiu reviver o gênero “Super-heróis” e começou a ter relativo sucesso com a nova versão do Flash e, mais tarde, com a Liga da Justiça da América. Em resposta, Goodman pediu que Lee criasse uma super-equipe pra bater de frente com isso. Como ele já estava pensando em sair do ramo, resolveu seguir a sugestão de sua esposa e fazer algo completamente diferente do que já estava sendo feito. Os heróis de Lee, então, surgiram como seres humanos nada perfeitos e cheios de defeitos, como qualquer outra pessoa. Eles poderiam ser nervosinhos, estressados, melancólicos, vaidosos, egocêntricos… eles tretavam entre si, tinham que se preocupar em como pagar as próprias contas e impressionar as garotas; até mesmo se estrepavam fisicamente, coisa que não acontecia com os outros. Alienígenas indestrutíveis e bilhardários com identidade secreta eram demais. Os heróis de Lee capturaram a imaginação de adolescentes e adultos que foram parte do conhecido “baby boom”, surgido depois da Segunda Guerra Mundial. As vendas levantaram vôo e Lee percebeu que tinha futuro em seu emprego. Graças a Shiloh! =D O primeiro super-grupo criado por Lee (junto de Jack Kirby) foi o Quarteto Fantástico. A popularidade da família poderosa fez com que a porteira abrisse e, ainda com Kirby, Lee criasse o Hulk, Homem de Ferro, Thor e os X-Men; com Bill Everett, o Demolidor; com Steve Ditko, vieram o Doutor Estranho e o mais famoso de todos: o Homem-Aranha.

Dante Alighieri

Dante Alighieri






Pouco se sabe sobre a vida de Dante Alighieri. Levantam-se muitas hipóteses e seus primeiros biógrafos complicaram o contexto ao criar várias histórias em torno de sua existência. Não há documentos oficiais que comprovem seu nascimento. Como ele afirmava ter vindo à luz com o signo de Gêmeos, supõe-se que ele tenha nascido entre o final do mês de Maio e meio de Junho. Assim, os pesquisadores chegaram a uma data mais provável, a de 29 de maio de 1265.

Há vários dados sobre sua trajetória inscritos na própria obra do escritor. No Inferno (XV, 76) ele tenta convencer a todos de sua origem ancestral na Roma Antiga, mas o parente mais remoto que se conhece de Dante, através de uma citação contida no Paraíso, (XV, 135), Cacciaguida do Eliseu, não viveu muito tempo antes de Alighieri. Fruto de uma família florentina ilustre, Dante, que na verdade se chamava Durante e era apelidado de Alaghieri, era filho de Alighiero di Bellincione e de Dona Bella degli Abati, forma abreviada de Gabriella.

Dante fica órfão de mãe aos cinco anos, e pouco tempo depois seu pai se une a outra viúva, Lapa di Chiarissimo Cialuffi, com quem tem mais dois filhos, Francesco e Tana ou Gaetana. O escritor, poeta e político italiano tornou-se o mais consagrado autor de língua italiana, consolidando o idioma moderno em uma época que só valorizava o que era escrito em latim. Nascido em Florença, aí viveu até ser exilado por causas injustas. Ele perdeu também o pai prematuramente, ao completar 18 anos.

Tornou-se célebre o amor de Dante por Beatriz, sua musa inspiradora tanto na obra Vida Nova, quanto na Divina Comédia. Nesta época, era comum o casamento ser negociado entre as famílias. Aos 12 anos o poeta já estava prometido para Gemma Donati, com quem teve vários filhos. Também Beatriz, possivelmente Beatrice Portinari, a quem conheceu quando os dois tinham nove anos, e a quem só reencontraria em 1283, casara-se com o banqueiro Simone dei Bardi, pelos mesmos motivos, normalmente alianças políticas. Uma filha de Dante, Antonia, futuramente se tornaria freira, assumindo o nome da amada de seu pai, Beatrice.

Dante logo perde sua musa, que morre subitamente em 1290, aproximadamente aos 25 anos. O poeta não encontra consolo nesta morte e modifica radicalmente seu comportamento, buscando respostas nas obras de Aristóteles e na poesia. Neste período ele sofre fortes influências de dois poetas da sua Itália – Brunetto Latini, que já pioneiramente escrevia no idioma italiano, e Guido Cavalcanti. Ao lado deste ele institui o Dolce Stil Nuovo. De sua formação acadêmica se sabe também pouca coisa, alguns crêem que ele freqüentou a Universidade de Bologna, outros que ele foi um autodidata.

Na época de Dante, grupos políticos se digladiavam nas cidades, representando interesses familiares. Florença era um dos centros urbanos mais importantes neste período. Embora o poeta tenha nascido sob a égide dos gibelinos, em 1289 ele lutou ao lado do exército dos guelfos, os quais recuperaram o poder florentino. Dante estava intimamente ligado à política, elegendo-se como um dos seis presidentes do Conselho da Cidade, através da guilda dos médicos e farmacêuticos. Logo os guelfos se dividiram entre brancos e negros, por conta de uma disputa de famílias. As posições políticas de ambos se radicalizaram a ponto de Dante ter que providenciar o exílio dos chefes de ambas as facções, em nome da concórdia na cidade. Ele foi obrigado a incluir nesta lista de exilados seu grande amigo Guido Cavalcanti e um familiar de sua própria esposa.

Nesta ocasião o Papa, muito contestado pelos adeptos de Dante, aproveitou o ensejo para, sob a aparente disposição de pacificar a cidade, arrebatar o poder, condenando diversos Guelfos Brancos ao exílio e à morte, entre eles Dante, expulso da cidade durante dois anos e obrigado a pagar uma dispendiosa multa, a qual se não fosse paga acarretaria sua morte no retorno à Florença. Como não paga o montante devido Dante permanece eternamente exilado. Este momento foi muito difícil para o poeta, pois ele foi desamparado pela própria família.

Além da literatura, Dante também se interessava pela pintura e pela música. Na poesia, ele é constantemente inspirado pelo amor que nutre por Beatriz, só comparável a sua paixão pela política. Estes dois sentimentos sustentam a vida e a obra deste poeta maior, imortalizado por sua obra, principalmente pela criação magistral e visionária da Divina Comédia, a qual nasceu justamente no auge de sua amargura, em pleno exílio. Este poema é composto por 100 cantos, organizados em três livros – Inferno, Purgatório e Paraíso -, cada um contendo 33 cantos, com exceção do primeiro, integrado por 34 cantos e conhecido como ‘Canto Introdutório’.

Em 1318, Dante é convidado pelo príncipe de Ravena, Guido Novello da Polenta, a morar em seu reino. Aí o poeta conclui o Paraíso. Pouco tempo depois ele morre, provavalmente vítima de malária, no ano de 1321, aos 56 anos. Seu corpo é enterrado na Igreja de San Pier Maggiore, hoje conhecida como Igreja de San Francisco. Nem mesmo seus restos mortais retornariam a Florença.






Caberia a Dante Alighieri, considerado como um dos maiores escritores medievais, imortalizado por sua obra A Divina Comédia, situar de modo claro e preciso o quanto a Idade Média distanciou-se da temática esboçada pelos gregos em matéria de política. Tratando-se, contudo, de considerar o que de fato ocorrera naquele período histórico, nesse plano, cabe referir os traços gerais que diferenciam as suas peculiares instituições políticas.

As teorias políticas da Idade Média versam basicamente sobre as relações entre os poderes temporal e espiritual, em conseqüência da feição religiosa assumida pela cultura ocidental neste primeiro momento de afirmação. O assunto foi magnificamente caracterizado na obra clássica de Gaetano Mosca (1858/1941) – História das doutrinas políticas (1898), cujas teses principais são adiante transcritas.

Em 962, a idéia romana da União dos povos civilizados e cristãos sob uma única autoridade afirmou-se novamente na prática com o imperador Oto I de Saxe. Paralelamente, as últimas invasões bárbaras foram enfrentadas vitoriosamente, os bandos de sarracenos foram expulsos, os normandos estabeleceram-se de modo permanente no norte da França, os húngaros, os poloneses, os boêmios e os escandinavos receberam o batismo pelo ano 1000, incorporaram-se assim à grande família dos povos que haviam recebido o germe da civilização romana ao abraçar o cristianismo. Manifesta-se uma certa ordem decorrente da estabilização das famílias mais poderosas e introduzem-se no feudalismo os primeiros sintomas que anunciavam a futura constituição das comunas.

À mesma época, os monges da Abadia de Cluny na Borgonha e da de Hirschau na floresta Negra e de outros lugares, adotaram uma norma mais severa. Eles libertaram-se das influências leigas e, por meio de propaganda, disseminaram o conceito da superioridade da autoridade eclesiástica sobre a leiga.

Dadas as condições políticas e intelectuais da sociedade européia, era de se prever que, tendo ocorrido uma certa união do poder leigo, a luta entre os dois poderes não tardaria a romper, se ocorressem, por seu turno, a união e a independência da Igreja. Esta independência foi alcançada e a disciplina da Igreja tornou-se mais rígida graças à obra de Gregório VIII (século XII), o qual, favorecido pelas circunstâncias, conseguiu que a eleição do Pontífice fosse daí em diante responsabilidade do clero. Assim, livrou-a da influência da nobreza romana. E conseguiu também proibir o casamento dos padres pois, enquanto esta prática fosse permitida, tornava-se mais fácil aos nobres leigos ocupar os bispados e utilizar os poderes da religião com a finalidade de aumentar a sua própria dominação.

Quando rompeu abertamente a luta entre o imperador e o Papa, o primeiro foi geralmente ajudado pelos feudatários e pelos bispos, que em sua maioria eram oriundos da nobreza. Ao lado do Papa, ficavam geralmente o baixo clero e sobretudo os monges, e também a plebe que, quase instintivamente, seguia o partido contrário ao dos poderosos.

O século XII já apresenta um progresso em relação ao século precedente do ponto de vista cultural. A luta entre as idéias que sustentavam a superioridade da autoridade eclesiástica sobre a autoridade leiga e aquelas que defendiam a independência recíproca dos dois poderes, considerados ambos como emanações diretas da vontade divina, deveria continuar não somente no âmbito dos fatos, mas também no das doutrinas. Não é demais lembrar que a importância adquirida pelas comunas, sobretudo, no norte e no centro da Itália, foi bastante útil ao Papado na luta por ele travada contra a dinastia imperial de Hohenstauffen durante o século XII e o seguinte.
No duelo intelectual entre as duas potências, cada um dos lados procurou tirar partido da renovação dos estudos jurídicos. Geralmente, os canonistas sustentavam a autoridade do Papa e os romanistas, a do imperador. Aos primeiros, devemos o Decreto do Graciano, que é uma compilação de textos em parte apócrifos, como o juramento de fidelidade feito pelo imperador Oto I ao Papa e o documento relativo à doação de metade de seu império que o imperador Constantino teria feito ao Papa Silvestre.

Por outro lado, os juristas da Universidade de Bolonha, que se dedicavam ao estudo do direito romano, defendiam a autoridade imperial. Eles consideravam o imperador como o sucessor legítimo dos antigos Césares e, por conseguinte, detentor da soberania integral. Tal foi o princípio por eles defendidos na Dieta de Roncaglia, a que foram convidados por Frederico Barbaroxa. Lá, baseados nos Pandectes, emitiram opinião favorável à supremacia do imperador.

No final do século XII, o Papa Inocêncio III expressou claramente nas cartas dirigidas ao duque de Carinthie e aos bispos franceses a teoria da supremacia pontifical sobre todos os poderes temporais. Disse ao duque de Carinthie que se em conseqüência de uma antiga tolerância, os nobres alemães elegessem o imperador, esta eleição não deveria, nem por isso, deixar de ser analisada e confirmada pelo Papa. Na mesma carta, Inocêncio III lembrava a coroação de Carlos Magno através da qual o Pontífice havia transmitido a dignidade imperial dos gregos aos alemães.

Na Inglaterra, também a luta entre as duas autoridades foi muito grande durante o século XII. Os dois protagonistas mais eminentes foram o rei (Henrique II) de um lado e, de outro, o chefe da Igreja, função desempenhada pelo arcebispo de Canterbury.. O conflito foi, inicialmente, doutrinário, até que o rei mandou assassinar o arcebispo ou consentiu que ele fosse assassinado. Do lado da Igreja, encontramos o monge João de Salisbury, que chegou a defender a legitimidade do tiranicídio, exceto quando o tirano fosse um padre e desde que não fosse utilizado o envenenamento.

No século XIII, introduziram-se no Ocidente europeu novos elementos culturais, em decorrência das relações que se deram no Oriente durante as Cruzadas com os bizantinos e os árabes. Outro centro de cultura árabe situava-se na parte meridional da Espanha: de lá as idéias podiam penetrar mais facilmente o resto da Europa.

Um árabe de Córdova, que se chamava Ibn Roschd e que os europeus chamavam de Averroes, havia por volta do fim do século XII comentado as obras de Aristóteles de um ponto de vista que se pode dizer panteísta. A maneira de pensar do filósofo árabe não tardou a se infiltrar na Europa. As traduções em latim das obras de Aristóteles, feitas diretamente do texto grego ou sobre a mencionada tradução árabe, começaram a se disseminar e adquiriram um grande prestígio. Aristóteles tinha merecidamente a reputação de ser o representante mais autêntico da cultura antiga e portanto de ser "o mestre dos que sabem". No início, a Igreja não foi favorável ao aristotelismo, principalmente porque ele se apresentava em gera! sob a forma do averroísmo, e, em Paris, a Sorbonne o condenou no princípio do século XIII. Mais tarde, considerou-se oportuno demonstrar que a ciência personificada por Aristóteles podia ser conciliada com a fé. O encargo de fazer esta demonstração foi assumido por um dos maiores escritores da Idade Média, São Tomás de Aquino (1225-1274).

Na parte especificamente política de sua obra, São Tomás teve que superar o grande obstáculo em que se constituía a frase de São Paulo: omnis potestas a Deo (todo o poder vem de Deus), pois este texto freqüentemente usado pelos partidários do poder leigo, quando interpretado textualmente, justifica a obediência a qualquer espécie de governo. São Tomás explica na Suma que Deus quis que houvesse um governo, mas que sua forma fosse deixada à livre escolha dos homens. Em seguida, distingue o tirano a titulo, isto é, aquele que usurpa o poder e o tirano ab exercitio ou o soberano cuja origem é legítima, mas que passa a abusar de seu poder. São Tomás considera que o tirano a título pode legitimar a sua soberania, se governar com retidão, ou seja, visão do interesse de seus súditos. Admite também que, em casos extremos quando a tirania se tornar insuportável e obrigar os súditos a cometer pecados, justifica-se a rebelião.

Discute-se a questão, se São Tomás justificava o tiranicídio em certos casos. Esta discussão deve-se a uma passagem do Comentário em que menciona um trecho de Cícero, que diz que o povo tem o hábito de louvar e recompensar aquele que mata o tirano. Mas esta passagem do Comentário é apenas uma citação e não expressa seu pensamento.

São Tomás, seguindo Aristóteles, considera que todas as formas de governo podem ser legítimas, se os chefes agirem segundo os interesses da coletividade. Mas, aproximando-se neste ponto de Cícero, acha preferível o governo misto, no qual os elementos democráticos estejam também representados: O portet, diz ele, ut omnes partem aliquam habeant in principatu (para que todos, de alguma forma, participem do governo).

Finalmente, São Tomás aborda a árdua questão das relações entre a Igreja e o Estado, afirmando que à primeira cabe a chefia das almas e ao segundo, a dos corpos. Segue-se que cada uma destas duas instituições teria seu domínio próprio e não deveria invadir o da outra. Mas, em caso de conflito, o Papa pode sempre julgar se o soberano pecou porque o pontífice utriusque potestatis apicem tenet (O pontífice constitui a última instância de ambos os poderes).

Nos últimos anos do século XIII e nos primórdios do século XIV, a luta entre a Igreja e o Estado continuou com violência. Desta feita, o Papado contou também entre os seus adversários com o rei da França, Felipe, o Belo. Este, secundado pelo seu ministro Nogaret, que era neto de um dos heréticos albigenses contra os quais o Papa havia empreendido uma campanha exterminadora, quis que os bens do clero também fossem tributados. O papa Bonifácio VIII insurgiu-se contra esta pretensão, publicando três bulas: uma em 1296 (Clericis laicos), outra em 1301 (Ausculta fili), e uma terceira em 1302 (Unam sanctam). Nessas bulas o Papa não somente argumentava que sobre os bens da Igreja não devia incidir nenhuma tributação, como afirmava a superioridade da autoridade eclesiástica sobre as demais de natureza leiga. Omnem creaturam humanam, proclamava ele, subesse romano Pontifici declaramus. (Declaramos que toda criatura humana deve submeter-se ao Pontífice romano). O princípio defendido por Bonifácio VIII era o mesmo que haviam defendido Gregório VII e Inocêncio III, mas os tempos haviam mudado. A fé, ainda que grande, não era mais a de outrora e a autoridade papal começava a ser discutida. A excomunhão não produzia mais os mesmos efeitos que em épocas anteriores como quando obrigou o imperador Henrique IV a sofrer a humilhação de Canossa. Não devemos também nos espantar, se Felipe, o Belo, responde às bulas pontificais com cartas insolentes e enviou Nogaret à Itália onde, juntamente com Sciarra Colonna, usou de violência contra o Pontífice.

À essa época, apareceu o Diálogo entre o Clero e o Cavaleiro no qual o primeiro defende a isenção dos bens da Igreja e o outro sustenta que esses bens haviam sido dados à Igreja para que ela socorresse os pobres e já que o clero deles se havia apropriado e acumulado tanta riqueza não devia se subtrair aos deveres cívicos. Ignora-se quem foi o autor deste diálogo.

Outra obra importante que aborda esta questão é o De Monarchia de Dante Aleghieri, composto muito provavelmente em 1308, época em que Henrique VII de Luxemburgo invadiu a Itália. Nessa obra, o pensamento do grande poeta acha-se muito influenciado pela mentalidade medieval, sendo de um espírito bem menos moderno do que o Defensor pacis de Marcílio de Pádua, escrito apenas dezesseis anos após ao De Monarchia.

Dante Alighieri nasceu em Florença, no ano de 1265, e faleceu, em Ravena, em 1321. Ainda que o seu nome esteja indissoluvelmente ligado ao imortal poema Divina Comédia, foi um político proeminente e escreveu obra de caráter teórico.

Em sua terra natal, Dante foi incumbido de diversas missões diplomáticas. Além disto, pertencia à mais alta hierarquia governamental, sendo um dos sete magistrados que regiam os destinos da cidade. A política em Florença, como de resto na Itália de seu tempo, nutria-se de divisões acentuadas. Formalmente, os dois principais grupos denominavam-se gibelinos (moderados) e guelfos (partidários radicais do Papa), sendo que Dante pertencia à primeira, o que explica a posição doutrinária adiante referida. Tendo a balança se inclinado em favor dos guelfos, foi exilado em Ravena.

Ravena havia sido o centro do Império Romano do Ocidente e também sede das possessões bizantinas entre os séculos VI e VIII, situando-se às margens do Adriático, no Norte da Itália.

Durante o exílio escreveu um tratado de filosofia a que intitulou de O Banquete, ensaios de natureza científica e uma obra política em que toma partido na grande disputa que então tinha lugar.

Como se indicou, Dante denominou o seu tratado político de Monarquia. Inclina-se pela independência dos dois poderes. Contudo, a Divina Comédia é que lhe granjeou a fama conquistada. O seu túmulo em Ravena, ainda que a cidade distinga-se pela magnitude de seus monumentos históricos, encontra guarida na preferência da visitação turística.

As teses que defende em sua obra são resumidas a seguir.

Afirma que para a humanidade poder desenvolver suas possibilidades intelectuais, isto é, seu potencial de progresso, é necessário que a paz reine em toda a parte. Admite-se que haja concluído aquela obra no ano de 1308, quando se dá a invasão da Itália por Henrique VII de Luxemburgo. A manutenção da paz entre os estados, prossegue, somente será alcançada quando o mundo venha a ser governado por um só homem, devendo este soberano ser o imperador romano, ao qual todos deverão obedecer. Diz textualmente que o império universal corresponde à vontade de Deus. Justamente para torná-lo realidade, Deus fez com que os romanos conquistassem o mundo. Como prova da vontade divina apresenta a circunstância de que Jesus Cristo haja nascido no alvorecer do Império. Os milagres que os romanos atribuíam aos deuses do paganismo, na verdade, provinham do Deus dos cristãos que, ajudava aos romanos, desde que lhes havia dado a missão de unificar o mundo.

Tenha-se presente que existia o Sacro Império Romano Germânico. Entretanto, somente a partir de Frederico III da Áustria (reinou de 1440 a 1439), a instituição se consolida e passa a ter uma estrutura mais ou menos estável. O fato de que tal haja ocorrido muito depois da morte de Dante não impede de reconhecer que a aspiração por ele apresentada deveria corresponder a esperança generalizada no seio da elite, notadamente em face da crise que vinha de se abater sobre a Igreja com a mudança forçada do Papa para a Avinhão, em 1309, de que resultaria o grave cisma com a existência de duplicidade no Papado entre 1378 e 1417.

Outro argumento que serviu para popularizar a obra de Dante, consiste no seguinte: aos que justificam a subordinação do poder temporal à Igreja, invocando as teorias astronômicas e comparando o Papa ao Sol e o Imperador à Lua, lembra que, se a Lua é iluminada pelo Sol, não deve a este o movimento.



MARY SHELLEY



Mary Wollstonecraft Godwin nasceu em 1797 e faleceu em 1851 deixando apenas um filho e várias obras publicadas, porém, é geralmente lembrada por uma única obra de grande sucesso intitulada: Frankenstein.

Mary Shelley era filha de Mary Wollstonecraft, considerada uma das primeiras feministas e que, infelizmente, morreu dez dias após o nascimento da filha. Ela ficou conhecida pela publicação das obras “A Reivindicação dos Direitos da Mulher (1792)” e “Os Erros da Mulher”. O pai de Mary Shelley, William Godwin, era jornalista, escritor e teórico anarquista, considerado o precursor da filosofia libertária. Publicou a obra “Uma Investigação Concernente à Justiça Política” (1793) que o tornou famoso e mais algumas obras dentre as quais destacamos “As Coisas Como São” e “As Aventuras de Caleb Williams” (1794).

Como boa filha de seus pais, Mary publicou seu primeiro poema aos dez anos de idade e aos dezesseis, ousadamente, fugiu de casa para viver com Percy Bysshe Shelley, apenas cinco anos mais velho, mas já bastante famoso poeta romântico que se casara há apenas cinco anos antes com Harriet Westbrook com quem tivera dois filhos. Após o suicídio de Harriet, Mary e Percy se casaram, em 1816 e Mary adotou o sobrenome de seu marido passando a se chamar de Mary Wollstonecraft Shelley.

A fuga de ambos os levou a se encontrar com Lord Byron em Genebra, na Suíça, com quem manteriam bastante contato e que teria sido o responsável por instigar Mary a escrever sua obra mais famosa. Segundo a história, Mary e Percy Shelley, Claire Clairmont e Lord Byron estavam em mais uma de suas reuniões quando Byron propôs a Mary que escrevesse a mais terrível história que pudesse. Encorajada por Percy, um ano depois Mary publicaria sua obra intitulada “Frankenstein, ou Moderno Prometeus” (título completo) com um prefácio, não assinado, dele mesmo e que lograria enorme sucesso.

Mas, ao contrário do que muitos podem afirmar, e do que se tornaram os filmes que, mais tarde, tentariam reproduzir a belíssima história de Mary Shelley, Frankenstein não é uma história de terror. Frankenstein fala da história de um cientista (Victor Frankenstein) que obcecado por tentar recriar a vida, fica horrorizado ao ver que cometera um erro. Em uma certa parte do livro ele chega a refletir sobre sua responsabilidade sobre o que fizera e a criatura à quem dera a vida, e o quão errada é a busca cega e pelo conhecimento.

Em 1822, porém, Mary perderia Percy que morreu afogado na baía de Spezia, próximo a Livorno (Itália). Mary então voltou para a Inglaterra e dedicou-se a publicar as obras de seu marido, sem contudo deixar de escrever.

Algumas obras de Mary Shelley foram “Faulkner” (1937), “Mathilde” (publicada em 1959), “Lodore” (1835), “Valperga” (1823) e “O Último Homem” (1826), considerada pela crítica como sua melhor obra e que teve grande influência sobre a ficção científica. Em “O Último Homem” Mary conta a história do fim da civilização humana e sua destruição por uma praga.



William Blake

William Blake nasceu em Londres em 1757, onde viveu praticamente quase toda a sua vida, morrendo em 1827. Filho de um comerciante rico, desde criança gostava de ler e desenhar. Aos dez anos de idade, foi enviado à escola de desenho e, aos quatorze anos, tornou-se aprendiz do famoso gravador James Basire. Dois anos depois, Blake começou a estudar e desenhar as igrejas de Londres, particularmente Abadia de Westminster cuja estilo gótico grandioso impressionou e o fascinou muito. William Blake foi o primeiro dos grandes poetas Românticos ingleses, como também pintor, impressor, e um dos maiores gravadores da história inglesa. Suas imagens incluem o poeta do século 17, John Milton, descendo dos céus na forma de um cometa e caindo sobre o teto do pintor. William Blake como tinha estado escrevendo poesia desde os onze anos, teve seus poemas impressos, em 1792, sob o título de " Poetical Sketches ". Os poemas eram expressão espontânea de um gênio original e visto como um prodígio. A métrica empregada por ele recorre em grande parte ao verso em branco que era uma característica criativa da era Elizabetana. A partir de 1784, Blake começa a publicar vários de seus poemas: Song of Innocence" e " The Book of Thel " que foi seguido brevemente por " The Marriage of Heaven and Hell ". Os livros eram todos gravados e impressos por ele com auxílio da esposa. Blake foi um rebelde toda a vida; uma voz solitária contra a marcha da ciência e da razão. Talvez por isso tenha sido visto por seus contemporâneos como um lunático e tenha desfrutado de pouco sucesso quando vivo. Ele falava com anjos nas árvores e uma vez foi encontrado no jardim com sua mulher, ambos nus, brincando de Adão e Eva. Ao longo de toda a sua vida, William Blake foi incomodado pela pobreza, sendo amenizada por alguns amigos. Reclamou sobre a falta de reconhecimento de seu trabalho, mas percebeu logo que não estava só. Escreveu num desabafo: "Até Milton e Shakespeare não puderam publicar seus trabalhos". A partir de 1794 dedicou-se a trabalhos mais poéticos e, entre eles, " The Gates of Paradise " e " Song of Experience ". Ilustrava com aquarelas seus poemas e trabalhos de amigos. A maioria das pinturas de Blake (como "The Ancient of Days" sobre a fachada para a Europe: a Prophecy ) é de fato impressões feitas de pratos de cobre que ele cauterizou em um método ele escreveu Ter sido revelado a ele em um sonho. Ele e a esposa coloriram estas impressões com cores de água. Assim cada impressão é uma obra de arte sem igual. Blake freqüentemente é chamado de místico, mas isto não é realmente preciso. Ele escreveu deliberadamente no estilo dos profetas hebreus e escritores apocalípticos. Ele pressentiu que seus trabalhos eram como expressões de profecias, enquanto seguia nos passos de Milton. Na realidade, ele acreditou claramente que foi a incorporação viva do espírito de Milton. Aos 67 anos William Blake começou os desenhos para o " Inferno " da Divina Comédia de Dante, e foi tão dedicado que aprendeu o italiano para aprofundar melhor no universo de Dante; trabalhando nestes desenhos até os últimos dias de sua vida. O trabalho Blake é a maioria das vezes analisado e julgado sob óticas pequenas. Mas os seus escritos iluminados e gravuras são todos, polegadas em tamanho, contudo, quando estudado, são detalhes meticulosos usados por ele, cada trabalho é visto como uma parte de um todo titânico, de um gênio. OBRAS: Poetical Sketches ( 1783 ). Songs of Innocence ( 1789 ). The Book of Thel ( 1789 ). The French Revolution ( 1791 ). The Marriage of Heaven and Hell ( 1793 ). Visions of the Daughters of Albion ( 1793 ). America: A Prophecy ( 1793 ). Songs of Innocence and Experience ( 1794 ). Europe: A Prophecy ( 1794 ). The First Book of Urizen ( 1794 ). The Book of Ahania ( 1795 ). The Song of Los ( 1795 ). The Book of Los ( 1795 ). The Four Zoas ( 1797 ). Milton: A Poem ( 1804-1808? ). Jerusalem ( 1804-1820? ). ALGUMAS ILUSTRAÇÔES E PINTURAS:

OSCAR WILDE



Oscar Wilde nasceu em 16 de outubro de 1854 em Dublin, Irlanda. Filho de William Robert Wilde, cirurgião-oculista que servia à rainha. Sua mãe, Jane Speranza Francesca Wilde, escrevia versos irlandeses patrióticos com o pseudônimo de Speranza.

Foi educado no Trinity College, Dublin e mais tarde em Oxford. Lá ele recebe a influência de Walter Pater e da doutrina da "arte pela arte". Em 1879, vai para Londres, para estabelecer-se como líder do "movimento estético". Em 1881 é publicada uma coletânea de seus poemas. Em 1882, sem dinheiro, aceita participar de um ano de viagens entre USA e Canadá. Essa viagem lhe rendeu fama e fortuna.

Em 1884, casa-se com a bela Constance Lloyd. Com a publicação de "Retrato de Dorian Gray", sua carreira literária deslancha. Oscar e Constance tinham 2 filhos: Cyril e Vyvyan. Mas uma noite, Robert Ross, um hóspede canadense jovem, seduziu Oscar e forçou-o, finalmente, a confrontar-se com seus sentimentos homossexuais que o perseguiam desde a época em que era estudante.

Anos depois Oscar foi preso com acusações de conduta homossexual e sentenciado a 2 anos de prisão com trabalhos forçados, sendo a última parte em Reading Gaol. As condições calamitosas da prisão causaram uma série de doenças e o levou às portas da morte. Foi declarada, ainda, sua falência.

Morreu como um homem arruinado em 30 de novembro de 1900.

Frases e Pensamentos em Destaque



* Loucos e Santos

Escolho meus amigos não pela pele ou outro arquétipo qualquer, mas pela pupila.
Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante.
A mim não interessam os bons de espírito nem os maus de hábitos.
Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo.
Deles não quero resposta, quero meu avesso.
Que me tragam dúvidas e angústias e agüentem o que há de pior em mim.
Para isso, só sendo louco.
Quero os santos, para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças.
Escolho meus amigos pela alma lavada e pela cara exposta.
Não quero só o ombro e o colo, quero também sua maior alegria.
Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto.
Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade.
Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos.
Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça.
Não quero amigos adultos nem chatos.
Quero-os metade infância e outra metade velhice!
Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto; e velhos, para que nunca tenham pressa.
Tenho amigos para saber quem eu sou.
Pois os vendo loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que "normalidade" é uma ilusão imbecil e estéril.

* Viver

Viver é a coisa mais rara do mundo. A maioria das pessoas apenas existe.

* Impressões

A cada bela impressão que causamos, conquistamos um inimigo. Para ser popular é indispensável ser medíocre.



* Silêncio

Se você não consegue entender o meu silêncio de nada irá adiantar as palavras, pois é no silêncio das minhas palavras que estão todos os meus maiores sentimentos.

Jan Saudek






Uma breve biografia de Jan Saudek é dizer que nasceu em Praga em 1935 e comecou a trabalhar com pintura, desenho e fotografia por volta de 15 anos depois mais ou menos, fotografando conhecidos e familiares nas mais inusitadas situações, além de trabalhar com momentos inspirados em filmes de Georges Méliès, um ilusionista francês e precursor do cinema em seu país que usava muito de inventos fotográficos na criação de seus cenários e mundos fantásticos, o filme de Méliès que mais ficou conhecido foi Le Voyage la Lune, no qual usou dupla exposição do filme pra obter efeitos visuais e especiais super inovadores pra época de 1902.